
Venezuela agradece solidariedade e rápida resposta de Portugal
“Nestas horas, precisamente no meio de um processo de resgate de uma pessoa que ainda se encontra viva, (…) agradecer especialmente o apoio de Portugal nestes momentos difíceis para o povo venezuelano”, disse à Lusa o vice-ministro das Relações Exteriores para a Europa e América do Norte.
Oliver Blanco explicou que, assim que aconteceu o duplo sismo, o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal contactou o Governo "para manifestar o interesse em enviar um grupo de quase 70 pessoas que têm estado lado a lado com as autoridades venezuelanas responsáveis pela resposta a esta situação e com as do resto do mundo, juntamente com já 30 países, para gerar fé e esperança e prestar assistência ao povo venezuelano nestes momentos de tanto sofrimento e de tantas dificuldades”.
“Portugal também enviou ajuda humanitária, aproximadamente 17 toneladas e, mais uma vez, não podemos deixar de agradecer ao Governo de Portugal, à equipa de resgate de Lisboa e a todos os grupos de intervenção que se deslocaram à Venezuela de forma praticamente imediata, o que reafirma, além disso, os laços de fraternidade e solidariedade entre os nossos países”, disse.
O vice-ministro venezuelano sublinhou que as autoridades locais estão conscientes também da solidariedade da comunidade lusa local.
“Em horas difíceis para os nossos povos, sabemos que também a comunidade portuguesa está muito integrada na Venezuela. Historicamente, tem feito parte da construção do país e, hoje, está connosco a recolher os escombros e a estender-nos as mãos num momento comovente e difícil para todos os venezuelanos”, acrescentou.
Sete operacionais portugueses estão envolvidos, desde segunda-feira, no resgate de um segurança de um estabelecimento comercial em Playa Grande, La Guaira.
A missão integra elementos da GNR, Proteção Civil, Bombeiros Sapadores de Lisboa e Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM).
Salvar este homem, seis dias depois dos sismos, é “um milagre”, resumiu à Lusa o porta-voz da missão da Costa Rica, Ricardo Árias.
A equipa costa-riquenha detetou, no domingo, que havia um sobrevivente no local, mas foi graças a um “sensor de alta tecnologia” dos portugueses que foi possível identificar “com precisão” a sua localização sob os escombros.
“Isso deu-nos ímpeto e vontade para continuar a trabalhar”, comentou, afirmando que os operacionais se sentem “honrados por trabalhar lado a lado com muita gente”.
Árias destacou o “trabalho importante” com Portugal, que “trouxe um impulso, quando muitos já tinham descartado a possibilidade de retirar” o sobrevivente.
O representante da equipa da Costa Rica também relatou que o homem “está bem”, “já se hidratou” e “fala muito bem”.
“Já estamos perto de o poder retirar”, garantiu.
Na operação, além de Portugal, participam ainda equipas de resgate da Venezuela, Costa Rica, El Salvador e México, entre outras.
Os sismos registados na Venezuela em 24 de junho causaram pelo menos 1.943 mortos e 10.571 feridos, segundo o mais recente balanço oficial.
Entre os mortos, há pelo menos 71 portugueses e lusodescendentes, e outros 71 estão desaparecidos ou incontactáveis.
Vários países, incluindo Portugal e outros Estados da União Europeia, enviaram equipas de busca e salvamento para a Venezuela.
Os sismos de magnitude 7,2 e 7,5 ocorreram a 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo e foram seguidos por mais de 20 réplicas, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos.
Dezenas de edifícios ruíram ou ficaram gravemente danificados na capital Caracas e na região de La Guaira, uma das mais afetadas.








