
Onda de calor na Europa já provocou mais de 1.300 mortes
Bruxelas, 29 jun 2026 (Lusa) -- A onda de calor que atinge grande parte da Europa já provocou mais de 1.300 mortes desde 21 de junho, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), enquanto vários países da Europa Central e Oriental enfrentam temperaturas recorde.
A OMS apelou aos países europeus para reforçarem os planos de prevenção e resposta às temperaturas extremas, sublinhando a necessidade de integrar estas medidas nas estratégias de adaptação às alterações climáticas.
Segundo cálculos da agência France-Presse (AFP), cerca de 130 milhões de pessoas deverão enfrentar temperaturas superiores a 35 graus Celsius durante o dia de hoje e mais de 269 milhões máximas acima dos 30 graus.
A Hungria vive um dos períodos mais críticos da vaga de calor, com temperaturas próximas do recorde nacional de 41,9 graus Celsius.
Em Aszód, a leste de Budapeste, os termómetros atingiram 41,6 graus, um máximo histórico para o mês de junho e o Governo ordenou o recurso ao teletrabalho na administração pública, pediu à população para reduzir o consumo de eletricidade nas horas de maior procura e enfrenta restrições no abastecimento de água em mais de uma centena de localidades.
Na Eslováquia foi registado o dia mais quente de sempre, com 41 graus, ultrapassando o anterior recorde de 2007.
A Áustria mantém o leste do país sob alerta vermelho, prevendo temperaturas até 39 graus em Viena, enquanto a Itália colocou 25 grandes cidades sob alerta vermelho devido ao risco para a saúde pública.
Na Ucrânia, a vaga de calor agrava os efeitos da guerra ao aumentar a pressão sobre uma rede elétrica fragilizada pelos bombardeamentos russos. As autoridades alertaram para possíveis cortes de energia, enquanto o calor intensifica o risco de incêndios e dificulta as operações militares ao longo da frente de combate.
Cidades como Lviv, Odessa, Uzhhorod, Lutsk e Rivne registaram temperaturas recorde entre os 36 e os 38 graus Celsius.
Também os Balcãs enfrentam temperaturas próximas dos 40 graus, com incêndios registados na Bósnia e alertas meteorológicos em vários países da região.
Na Polónia, as autoridades assinalaram 56 mortes por afogamento desde o início de junho, incluindo 17 apenas no domingo, apelando à população para redobrar a vigilância junto às zonas balneares.
Itália emitiu hoje um alerta vermelho devido às altas temperaturas em pelo menos 25 grandes cidades, numa tentativa de prevenir vítimas mortais e garantir a segurança da população. O alerta estará em vigor até quarta-feira.
Segundo a iniciativa científica World Weather Attribution, a intensidade desta vaga de calor teria sido praticamente impossível de ocorrer em junho sem a influência das alterações climáticas.
Nos últimos dias foram registados recordes absolutos de temperatura na Alemanha, Polónia e República Checa, bem como recordes mensais no Reino Unido e na Suíça.
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