
Planalto Beirão celebra 35 anos a pensar na valorização energética dos resíduos
O aniversário foi de 35 anos, mas as atenções estiveram voltadas para as próximas décadas. A Associação de Municípios da Região do Planalto Beirão (AMRPB) aproveitou a cerimónia comemorativa, realizada na “sua casa”, em Tondela, para fazer o balanço de um percurso iniciado em 1991 e apresentar os desafios que marcarão o futuro da gestão de resíduos na região.
A sessão reuniu autarcas dos 19 municípios associados, representantes de diversas entidades ligadas ao setor ambiental e da administração pública, entre os quais a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), José Pimenta Machado, responsáveis da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro e vários parceiros institucionais.
Entre o reconhecimento do trabalho desenvolvido ao longo de mais de três décadas e o anúncio de (alguns) projetos, a cerimónia ficou marcada pela defesa de soluções inovadoras para aumentar a reciclagem, reduzir a deposição em aterro e reforçar a sustentabilidade ambiental do território servido pela associação, que serve cerca de 330 mil habitantes.
Na sua intervenção, o presidente do Conselho Diretivo do Planalto Beirão, Ricardo Cruz, também autarca do Município de Tábua, destacou a evolução do sistema ao longo dos últimos anos, lembrando que a associação passou de uma lógica centrada na deposição de resíduos em aterro para um modelo assente na valorização de materiais, reciclagem e recuperação de recursos.

“Celebramos hoje 35 anos de cooperação, de trabalho partilhado e de compromisso com o serviço público ambiental”, afirmou, sem esquecer os investimentos realizados nos últimos anos, que permitiram aumentar os níveis de reciclagem e reforçar a eficiência do sistema. Ainda assim, alertou para os desafios que permanecem. “Portugal continua aquém das metas europeias em matéria de reciclagem e redução da deposição em aterro. Não basta melhorar o sistema, é preciso também transformá-lo”, sublinhou.
Nesse sentido, anunciou que a associação já iniciou o processo de definição da proposta de âmbito para o estudo de impacto ambiental de uma futura solução regional de valorização energética, destinada a tratar a ‘fração resto’ dos resíduos produzidos na região.
“Precisamos reforçar e valorizar o multimaterial, expandir a recolha seletiva de biorresíduos e encontrar soluções de escala regional que permitam fechar o ciclo da totalidade da ‘fração resto’ dos resíduos de forma mais eficiente e sustentável”, defendeu.
E porque a cerimónia decorreu em Tondela, concelho que acolhe a infraestrutura central do sistema intermunicipal, localizada na freguesia de Barreiro de Besteiros, a presidente do município, Carla Antunes Borges, recordou a visão dos autarcas que decidiram acolher a associação.
"Não basta melhorar o sistema, é preciso também transformá-lo”
“Receber esta responsabilidade não é apenas um dado geográfico, nem consequência do acaso. É um compromisso sério e permanente com o território, com as populações, com o ambiente, mas, acima de tudo, com o futuro”, afirmou.
A autarca considerou que a valorização dos resíduos deve ser encarada não apenas como um desafio ambiental, mas também como uma oportunidade económica para os territórios. “Importa cada vez mais olhar para os resíduos como recursos capazes de gerar valor, criar novas cadeias económicas, reforçar a competitividade dos territórios e gerar emprego”, acrescentou.
“Esta associação tem sido um exemplo de visão”
Também presente na cerimónia, a ministra do Ambiente e Energia elogiou o percurso da associação, considerando que o Planalto Beirão constitui uma referência nacional na área da gestão de resíduos.
“Esta associação tem sido um exemplo de visão, capacidade de concretizar e resiliência”, afirmou Maria da Graça Carvalho.
A governante destacou ainda a capacidade de cooperação entre os 19 municípios associados e defendeu que as boas práticas desenvolvidas ao longo dos anos devem servir de inspiração para outras regiões do país. “Os nossos autarcas merecem não apenas o nosso aplauso, mas também que Portugal olhe com muita atenção para o que aqui tem vindo a ser feito, de forma a replicar as vossas boas práticas”, referiu.
A ministra não deixou de recordar os desafios que Portugal continua a enfrentar na redução da deposição de resíduos em aterro e no aumento das taxas de reciclagem, apelando ao envolvimento de municípios, empresas e cidadãos. “Tratar os resíduos dá trabalho, mas tem de ser parte da nossa rotina”, sublinhou.






