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AEVP estima perda de 3.000 empregos com uso exclusivo de aguardente do Douro

A Associação das Empresas de Vinho do Porto (AEVP) advertiu hoje que a implementação da medida que visa o uso exclusivo de aguardente regional no Douro pode implicar a perda de 3.000 postos de trabalho no setor.

Decorreu hoje, no parlamento, mais uma audição de entidades sobre o uso exclusivo de aguardente vínica com origem e produção na Região Demarcada do Douro (RDD) na beneficiação do vinho do Porto e moscatel, na sequência da aprovação, em janeiro, de um diploma do partido Juntos pelo Povo (JPP).

Ouvido na comissão de Agricultura e Pescas, o presidente da AEVP, António Filipe, começou por alertar para as quebras mundiais nas vendas de vinho, um problema que também atinge a RDD e classificou esta lei como “uma bala de prata”.

“Que há um problema muito sério, há, e é preciso ser resolvido. O nosso entendimento é que não é, de maneira nenhuma, sob esta forma”, afirmou.

Assumindo que a lei se vai aplicar, referiu que há o pressuposto de que o excesso de vinho vai ser transformado em aguardente, que as vendas de vinho do Porto podem cair para metade, que o produto será mais raro e os consumidores poderão pagar o dobro do que pagam hoje por esse vinho.

“Não podemos deixar de pensar que, se nós reduzimos as vendas para metade, várias coisas acontecem, a primeira delas é que nós vamos precisar de encher menos garrafas, de vender menos caixas”, advertiu, apontando para um impacto nas empresas.

António Filipe disse que a estimativa da AEVP, que classificou como “conservadora”, é que “esta medida, diretamente, irá implicar a perda de 3.000 postos de trabalho” em atividades como linhas de engarrafamento, armazéns, escritórios, entre outros.

E revelou preocupações já demonstradas por fornecedores de, por exemplo, rolhas e rótulos.

“As consequências são dramáticas no sentido em que uma redução em valor absoluto de vendas vindo do Porto vai ter um impacto muito grande”, referiu.

Por fim, colocando o cenário de que as vendas “não duplicam em valor”, frisou que a “tragédia é total”.

“E aquilo que eu posso dizer aos senhores deputados é que a experiência que nós temos no Reino Unido é a seguinte, por cada 1% de aumento de preço que se registou no Reino Unido nos últimos cinco anos, em virtude do aumento dos impostos, as vendas caíram 1%”, referiu, questionando se “faz sentido arriscar num modelo que pode ter como resultado final vender metade e ao mesmo valor”.

“Eu diria que isto é extraordinariamente arriscado, para não dizer outra coisa”, concluiu.

A 30 de janeiro, o projeto-lei do deputado único do JPP, que quer consagrar o uso exclusivo de aguardente vínica produzida na RDD para a produção de vinho do Porto e do moscatel do Douro, teve votos contra do PSD, CDS-PP e IL e favoráveis das restantes bancadas e deputados.

No mesmo dia, foi divulgado um estudo, pedido pelo ministro da Agricultura em 2024, que concluiu que o uso exclusivo de aguardente do Douro na produção de vinho do Porto é “tecnicamente inviável, economicamente insustentável e estrategicamente arriscado”.

O uso exclusivo da aguardente regional é polémico, com uns a defender esta como uma solução para a crise no Douro, com quebras nas vendas e nos rendimentos dos viticultores, e outros a alertar para riscos nesta imposição.

Durante a tarde de hoje foram ainda ouvidos representantes da Confederação Nacional da Agricultura, da Confederação dos Agricultores de Portugal, da Casa do Douro, da Confederação Nacional das Cooperativas Agrícolas e do Crédito Agrícola de Portugal, da Destildouro e da Adega Cooperativa de Trevões.

Maio 5, 2026 . 19:45

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