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Estudantes encheram as ruas de Viseu de animação e (alguns) recados

O desfile académico reuniu hoje milhares de jovens num percurso onde a celebração da tradição estudantil se cruzou com a crítica a problemas atuais, como o aumento das rendas, o custo das propinas e a incerteza no futuro dos alunos

“Geração burnout”, “Rendas altamente”, “É mais fácil ver esta casa voar do que vermos as propinas baixas”, “Defender a cultura é defender quem nós somos”, “La vida es una fiesta que un día termina, mas o investimento na Educação acabou primeiro” ou “Se a IA faz tudo… o que sobra para nós”.

Estas foram algumas das inquietações que percorreram ontem o desfile académico de Viseu, um dia em honra dos estudantes da região, mas também das suas preocupações.

Ao longo do percurso, foram milhares os estudantes que participaram num dos momentos mais emblemáticos da vida académica da cidade. Entre música alta, coreografias improvisadas e estruturas construídas ao detalhe, o cortejo manteve o registo festivo de sempre, ainda que com alguns recados.

A habitação destacou-se como uma das principais preocupações. Num dos carros, uma casa suspensa simbolizava a dificuldade crescente em encontrar, e pagar, um lugar para viver. A mensagem não precisava de grande explicação: para muitos estudantes deslocados, o custo das rendas tornou-se um dos maiores obstáculos à frequência do ensino superior.

Logo atrás, a questão das propinas surgia com humor ácido. “É mais fácil ver esta casa voar…” lia-se num dos carros da Universidade Católica de Viseu. Mas não foram apenas os custos a marcar presença. O carro da licenciatura em Desporto chegou com uma agenda sobrecarregada, entre aulas, estudo, treinos, trabalho, terminando com a pergunta: “Dorme quando?”. A sobreposição de tarefas dava-nos a realidade de muitos estudantes que conciliam a formação académica com empregos.

A incerteza quanto ao futuro também teve lugar no desfile deste ano. A referência à inteligência artificial, repetida em vários cartazes, apontava para um receio difuso: o de investir anos de estudo num mundo do trabalho em rápida transformação.Ainda assim, a animação impôs-se ao longo de todo o percurso.

O espírito académico fez-se sentir entre cânticos, cerveja na mão e grupos que competiam pela música mais alta, numa sucessão de colunas e batidas que marcavam o ritmo do desfile. Entre a festa e a reivindicação, o cortejo voltou a mostrar uma geração que celebra, mas que também faz questão de ser ouvida.

Abril 27, 2026 . 18:30

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