Condena-se violência de ideias usando a violência nas palavras
E não falo de divergência nem de crítica. Essas, sabemos, fazerem parte de qualquer sociedade. Discordar é saudável e necessário. Falo de um certo prazer em expor, ridicularizar, condenar publicamente.
As redes sociais são hoje uma extensão da comunicação social, o que, permite, ampliar vozes, alargar a participação e aproximar realidades. Acontece que os impulsos, as reações rápidas e o julgamento é que estão a ser amplificados.
É como se a reação fosse mais valorizada do que a reflexão. Assistimos a verdadeiras praças públicas digitais, onde as pessoas são julgadas e condenadas.
O paradoxo é que, quem participa nestes julgamentos, muitas vezes, reproduz exatamente os comportamentos que está a condenar. Há uma indignação com palavras duras, mas utilizam-se palavras ainda mais duras.
Critica-se a agressividade com agressividade. Denuncia-se a falta de respeito com desrespeito. Combate-se a violência usando a mesma violência. Pede-se elevação ao discurso de tantos, mas quem a pede, fá-lo do lugar mais baixo da linguagem. É antagónico e inquietante. Entretanto perdemos por completo a tentativa de diálogo e debate. Neste momento, exige-se respeito sem o ter.
É um facto que a comunicação digital veio encurtar as distâncias, mas também encurtou o pensamento e anestesiou a empatia. E é isto que nos deve fazer refletir.
Considero extraordinariamente bom podermos falar, mas o desafio agora é outro. Já não é só ter permissão para pensar e falar livremente, é escolher a forma como falamos.
É escolher quem escolhemos ser quando ninguém nos obriga a parar antes de reagir, atacar e publicar. O impacto humano nem sempre é efémero. E, uma coisa é certa, o que dizemos do outro, dirá sempre muito mais sobre nós do que sobre o outro.





