
Beatriz e Simba, a dupla de terapia que está pronta para ajudar quem precisa
Ensina-nos o velho ditado que o cão é o melhor amigo do homem. Uma frase feita que, no caso do Simba, um golden retriever de um ano e nove meses, se adequa na perfeição.
Chegou à nossa redação acompanhado pela tutora Beatriz Santos e, entre procurar festinhas ou o colo de quem se demorava um pouco mais nos cumprimentos, decidimos que era hora de conhecer a história deste “coração gigante”.
São uma dupla certificada em serviços assistidos por animais pela ÂNIMAS, uma associação que se dedica a terapias e intervenções assistidas por animais, e podem agora atuar em hospitais e instituições como jardins de infância, estruturas residenciais para seniores ou equipamentos de apoio à deficiência. A missão é semelhante em todas as situações: “melhorar o dia de alguém”.
Esta foi uma daquelas aventuras que começou com um sonho que acabou a tornar-se muito mais no caminho de Beatriz Santos. Estudou Educação Social na Escola Superior de Educação de Viseu e, contou, foi em contexto de sala de aula que recebeu o primeiro sinal para arriscar pelo mundo das terapias com animais.
“Lembro-me perfeitamente de uma professora ter dito que havia pessoas que trabalhavam com animais. Reparei que as pessoas ficaram a olhar para mim e que disseram que era mesmo a minha cara”, começou por contar ao Diário de Viseu. Licenciatura terminada, seguiu-se o mestrado e com ele o desafio de escrever uma tese. “Não fazia ideia que tema que ia escolher e também foi uma colega minha que sugeriu a terapia com animais”, contou, acrescentando que “comecei a estudar mais, li imensos artigos e contactei também com pessoas da área em Portugal “.

A verdade é que não poderia ficar pelo estudo, mas avançar para o terreno. Os animais, admitiu, são mesmo “um grande amor” e partiu “em busca de um Simba”. Mesmo com muita pesquisa, não tardou a encontrar um pequeno golden retriever para fazer parte deste sonho.
Chegou à família de Beatriz em março de 2024 e, este ano, ingressou no curso da Ânimas.
“Eles são treinados durante cerca de cinco meses e, para além do treino, é preciso ser um cão que tenha características específicas para realizar este tipo trabalho”, frisou a tutora, reforçando a importância de “ser um cão que seja calmo e que goste de estar com as pessoas”.
Durante o curso, o “Simbinha” foi superando todos os obstáculos e, em contexto real de trabalho, conseguiu um grande sim para trabalhar em Viseu, em colaboração com a Ânimas. “Podemos trabalhar com crianças, adultos com algum tipo de deficiência, e seniores. Depois tem a ver com cada dupla e eu, enquanto tutora, conheço o Simba para perceber com que tipo de população é que ele gosta mais de trabalhar”, assinalou, reconhecendo que as crianças são a sua “especialidade”.
Agora, o grande desafio é explorar o mercado na região. “Estamos a trabalhar em conjunto com a Ânimas que tem duplas em todo o país, mas a verdade é que acho que aqui em Viseu ainda não há muito esse tipo de resposta. E um dos nossos objetivos é trazer estes serviços para cá”, apontou.
Já o foco é sempre, sublinha, “fazer um trabalho positivo”, com um Simba que também esteja feliz.
Dupla quer apoiar serviço de Pediatria do Hospital de Viseu
A verdade é que, reforça Beatriz Santos, “há evidências de que há um impacto positivo deste vínculo das pessoas com os animais e, a nível hospitalar, o cenário é igual”. Por essa razão, “acho que seria muito benéfico para Hospital de Viseu ter este tipo de intervenções”, sobretudo no serviço de Pediatria, a verdadeira paixão’ do Simba.
Os grandes hospitais já contam com serviços deste género, recorrendo à terapia assistida por animais para complementar o tratamento de utentes, aliviar a ansiedade e promover o bem-estar emocional em diferentes faixas etárias. Exemplo disso é o Hospital de São João, no Porto, que já é morada da sede da Ânimas, uma associação que se dedicada às terapias e serviços de assistência por animais.
“Há muitos hospitais em Portugal que já têm. Acho mesmo que era bom para Viseu que isso acontecesse”, considerou a tutora, garantindo que “as crianças iam adorar”. “ Estamos a tentar a entrar em contacto, mas era muito bom para o hospital e é o nosso grande objetivo porque aqui em Viseu, as terapias com animais são um mercado a explorar, seja nos hospitais, sejas nas instituições”, sublinhou.







