Viseu exemplo do combate à desertificação
Mas essa visão fatalista ignora o potencial real dos territórios do interior e a responsabilidade que todos temos, enquanto cidadãos, decisores e comunidades, de construir alternativas.
Viseu, pelo seu posicionamento geográfico, qualidade de vida, capacidade de atrair talento e dinamismo económico, pode e deve ser um exemplo de afirmação, desenvolvimento e qualidade de vida das regiões do interior.
O país continua marcado por assimetrias territoriais profundas. Metade da população concentra‑se no litoral, sobretudo entre Lisboa e Porto, enquanto vastas regiões do interior enfrentam despovoamento, envelhecimento e perda de serviços públicos essenciais.
Segundo os Censos de 2021, o interior perdeu mais de 100 mil habitantes na última década. Se nada for feito, o futuro será ainda mais desigual e cristalizará um país a duas velocidades. É neste contexto que Viseu pode assumir um papel verdadeiramente estratégico. Nos últimos anos, o concelho contrariou a tendência dominante e percorreu um caminho de crescimento e progresso.
Aumentou a população residente, atraiu investimento, reforçou a oferta de serviços públicos, expandiu áreas empresariais e consolidou a sua centralidade regional. Entre 2021 e 2024, Viseu ganhou mais de 3.200 novos residentes e registou um aumento consistente de empresas, empregos e visitantes.
Mais do que números, estes dados mostram algo fundamental: é possível inverter a lógica do declínio quando há visão, estratégia e políticas públicas robustas. Para liderar o combate à desertificação, Viseu tem de assumir uma liderança regional, capaz de mobilizar políticas de coesão territorial integradas.
Isso implica: Apostar numa revisão estratégica do PDM, na habitação acessível e na redução de taxas e impostos municipais para fixar jovens, famílias e empresas; Melhorar a mobilidade intermunicipal, ligando freguesias, vilas e concelhos vizinhos e, simultaneamente, concluir a duplicação do IP3 e avançar com a ligação ferroviária a Viseu; Impulsionar um ecossistema empreendedor de excelência, com parques empresariais sustentáveis, incentivos fiscais competitivos, incubadoras tecnológicas, centros de investigação e redes de inovação;
Valorizar o ensino superior, promovendo a cooperação entre o Instituto Politécnico de Viseu, a Universidade Católica e o Instituto Piaget, criando massa crítica para a futura Universidade de Viseu, capaz de atrair talento e gerar desenvolvimento; Reforçar serviços públicos de proximidade, sobretudo na saúde, educação, cultura e desporto, pilares essenciais da qualidade de vida.
A resposta à desertificação não é apenas política, é social, cultural e emocional. É preciso devolver autoestima ao interior, mostrar que estes territórios não são sinónimo de atraso ou resignação, mas sim espaços de oportunidade, inovação e futuro. Viseu tem condições únicas para liderar esta mudança.
É igualmente fundamental que o Estado repense a forma como olha para o interior. Em vez de políticas centralizadas e uniformes, é urgente promover instrumentos descentralizados, adaptados às realidades locais. Municípios, comunidades intermunicipais, instituições de ensino, IPSS, associações e empresas devem ter voz ativa.
A coesão territorial não se decreta, constrói‑se com participação, compromisso e continuidade. O desafio que se coloca a Viseu é claro: ser uma referência nacional na construção de um interior com futuro. E a resposta depende de todos nós.
Porque quando o interior cresce, o país inteiro avança. O desafio que se coloca a Viseu é ser uma referência nacional de como se constrói um interior com futuro. A resposta depende de todos. Porque um território coeso é mais justo, mais competitivo e mais sustentável.





