
Partidos reúnem-se hoje para analisar resultados eleitorais
Segundo fonte oficial do PS adiantou à Lusa, o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, terá uma reunião com a direção da bancada parlamentar ao final da manhã, seguindo-se, às 18:00, de um encontro com os deputados do PS na Assembleia da República para discutir a posição do partido sobre o OE2026, cuja abertura para a viabilização foi manifestada ainda em período de campanha eleitoral.
À noite, no Largo do Rato, em Lisboa, vai reunir-se a Comissão Política Nacional do PS para discutir não só o OE2026 como analisar os resultados eleitorais das autárquicas de domingo.
Nas eleições autárquicas de domingo, o PS deixou de ser a principal força autárquica em Portugal e ficou com a presidência de 128 câmaras, duas delas em coligação, quando em 2021 tinha 149 câmaras, uma delas em coligação.
Os socialistas perdem assim a liderança da ANMP para o PSD e voltaram a falhar o objetivo de conquistar Lisboa e Porto.
Carneiro conseguiu travar a erosão eleitoral do PS depois da hecatombe nas legislativas e cumpriu a meta de aumentar o número de capitais de distrito, tendo algumas das principais vitórias sido precisamente a conquista de Évora, Faro, Coimbra, Bragança e Viseu.
O núcleo duro da direção do PSD, a comissão permanente, vai reunir-se hoje de manhã em Lisboa, dois dias depois da vitória eleitoral do partido nas eleições autárquicas de domingo.
De acordo com uma nota à imprensa, a Comissão Permanente Nacional reúne-se a partir das 10:30 num hotel em Lisboa, prevendo-se que Leonor Beleza, primeira vice-presidente do partido, faça uma declaração à imprensa no final.
Este órgão integra o presidente do PSD e também primeiro-ministro, Luís Montenegro, os seis ‘vices’ do partido, o secretário-geral e líder parlamentar Hugo Soares e, como convidado, o coordenador nacional autárquico Pedro Alves.
Apesar de não ter sido indicado qualquer tema para a convocatória à imprensa, a reunião acontece dois dias depois das autárquicas de domingo que o PSD venceu.
Sozinho e em coligações, os sociais-democratas conseguiram eleger o maior número presidentes de câmara, 136, de acordo com os resultados provisórios do Ministério da Administração Interna, sendo que em 109 concelhos governarão com maioria absoluta.
Destes, 78 foram eleitos em listas apenas do PSD e 58 em coligações. No total, o PSD conseguiu perto de 1,9 milhões de votos e 34,31% do total.
Em relação às anteriores autárquicas, em 2021, o partido conquistou mais 22 câmaras (tinha 114) e inverteu a liderança do poder local, com mais câmaras e freguesias do que o PS, o que lhe permitirá liderar a Associação Nacional dos Municípios Portugueses (ANMP) e a Associação Nacional de Freguesias (Anafre), o objetivo traçado por Luís Montenegro.
O PSD, sozinho ou em coligações, ganhou os cinco municípios com mais população no país – mantém Lisboa e Cascais, recuperando Porto, Vila Nova de Gaia e Sintra -, vencendo também no bastião socialista Guimarães.
No entanto, os sociais-democratas perderam capitais de distrito em relação há quatro anos (lideram agora sete, contra nove em 2021): o PSD ficou sem os bastiões de Bragança e Viseu e câmaras que detinha como Coimbra e Faro; em contrapartida, ganhou Beja pela primeira vez e recuperou o Porto, mantendo Aveiro, Braga, Lisboa, Portalegre e Santarém.
Nas autárquicas de 10 de outubro, o PS foi o segundo partido e conquistou, sozinho, 126 câmaras, e mais duas em coligação com o Livre e PAN.
O PCP reúne hoje o seu Comité Central para analisar os resultados das eleições autárquicas, nas quais a CDU voltou a perder câmaras, ficando com apenas 12 autarquias e sem capitais de distrito.
As conclusões da reunião serão apresentadas, em conferência de imprensa, pelo secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, às 18:00 na sede nacional do partido, em Lisboa.
Além dos resultados das eleições autárquicas de domingo, os dirigentes comunistas vão também avaliar a situação política social e as tarefas do PCP.
As eleições autárquicas deste domingo ditaram o pior resultado de sempre para a CDU que, das 19 câmaras municipais que tinha conquistado em 2021, passou para 12.
A coligação perdeu as capitais de distrito de Évora e Setúbal e, das 19 câmaras que tinha em 2021, só manteve oito: Barrancos, Cuba, Arraiolos, Silves, Avis, Palmela, Seixal e Sesimbra.
O secretário-geral do PCP reconheceu que o “resultado é negativo” e que a CDU ambicionava mais, mas considerou haver “elementos de resistência”, como a conquista de quatro novas autarquias: Montemor-o-Novo, Mora, Sines e Aljustrel.
Paulo Raimundo frisou ainda que houve “uma evolução da votação” da CDU a nível nacional quando comparado com o das legislativas de maio, referindo-se ao facto de, nessas eleições, a CDU ter tido 183 mil votos a nível nacional e, agora, 316 mil.
“Estamos profundamente satisfeitos com os resultados? Não. Gostaríamos de mais? Gostaríamos, e achávamos que as populações precisavam de mais força da nossa parte. É isto que temos, é com isto que lá vamos”, afirmou Paulo Raimundo este domingo à noite.







