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Caminhos para a Paz

Junho 9, 2025 . 11:45
Num tempo em que o mundo parece mergulhar cada vez mais em divisões e incertezas, marcado por conflitos geopolíticos, polarizações internas e uma crescente erosão dos valores humanistas, a 42.ª Conferência do Distrito 1970 do Rotary International surge como uma lufada de esperança e um apelo urgente à ação coletiva.

Sob o lema “Caminhos para a Paz”, esta conferência não foi apenas um evento de celebração ou partilha de boas práticas foi, acima de tudo, uma convocatória ética e cívica, desafiando cada cidadão, cada rotário e cada instituição a assumir um compromisso ativo com a construção de um mundo mais justo, pacífico e solidário.

Durante três dias, centenas de rotários do norte e centro de Portugal, representantes de organizações nacionais e internacionais, e especialistas convidados refletiram sobre o papel do Rotary na promoção da paz, do diálogo e da solidariedade entre os povos.

A conferência demonstrou que a paz não é uma abstração idealista, mas um processo contínuo, feito de gestos concretos, de diálogo persistente e de um compromisso inabalável com a dignidade humana. A paz começa nas nossas comunidades, nos projetos que combatem a pobreza, promovem a educação, apoiam a saúde mental, reforçam a inclusão e inspiram os jovens ao serviço e à liderança ética.

Entre os vários testemunhos e intervenções, uma ideia destacou-se com clareza: não há paz sem justiça social. A ação do Rotary, precisamente por ser apartidária, global e humanista, tem a capacidade única de unir forças em torno de causas comuns, privilegiando o que nos une em vez do que nos separa. É esse exemplo de voluntariado ativo, serviço desinteressado e empatia global que importa replicar, dentro e fora das organizações.

Importa também realçar o papel pedagógico desta conferência. Num tempo de desinformação e descrença, o Rotary recorda-nos que os valores do entendimento, da amizade, do respeito intercultural e da integridade não estão ultrapassados, são, na verdade, mais urgentes do que nunca. Daí que a formação de líderes comprometidos com esses valores constitua um dos maiores legados do movimento rotário.

O programa da conferência foi exemplar tanto na forma como no conteúdo. Da inauguração do Poste da Paz, na Praça Francisco Barbosa, aos painéis sobre o papel das Nações Unidas e da União Europeia na construção da paz, passando por um estimulante debate sobre os refugiados como oportunidade e não fatalismo, a conferência fez jus ao seu mote. A moderação de jornalistas e as contribuições de personalidades como Mário Parra da Silva (Global Compact da ONU) e o eurodeputado Sebastião Bugalho reforçaram a importância do multilateralismo, da diplomacia e da cooperação internacional na edificação de sociedades mais justas e resilientes.

O envolvimento de representantes do Rotaract, Interact e de organizações como os Médicos Sem Fronteiras e o Serviço Jesuíta aos Refugiados (JRS) acrescentou à conferência um realismo inspirador: a paz não se limita a grandes tratados ou discursos, ela vive nos gestos de acolhimento, no cuidado com os mais frágeis, na escuta ativa e na empatia perante o sofrimento alheio.

A 42.ª Conferência do Distrito 1970 foi, por isso, muito mais do que um evento rotário. Foi uma declaração de intenção coletiva, uma bússola para todos os que acreditam que é possível transformar o mundo, um passo de cada vez, com coragem, responsabilidade e sentido de missão.

Portugal e o mundo enfrentam imensos desafios, das alterações climáticas às desigualdades persistentes, das crises humanitárias às democracias em risco. Mas esta conferência provou que, mesmo diante da adversidade, é possível construir caminhos para a paz, caminhos que nascem do diálogo, da cooperação e da esperança ativa.

Cabe agora a cada um de nós decidir: queremos continuar a ser espectadores ou assumir o papel de construtores dessa paz?
A paz não acontece por acaso. Constrói-se, com intenção, com compromisso e com ação.

Junho 9, 2025 . 11:45

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