A ascensão do partido Chega e a crise do contrato social
Quando esse equilíbrio se rompe, abre-se espaço para discursos autoritários e populistas.
O fascismo, ideologia política ultranacionalista e autoritária que surgiu no início do século XX, é exemplo disso mesmo. Pois, emergiu em períodos de crise profunda, como a Grande Depressão e o período entre guerras. A desilusão com a democracia liberal e o fracasso das instituições em responder às necessidades da população criaram um terreno fértil para regimes extremistas.
Hoje, tal como aconteceu no início do século XX, ascensão do partido Chega é o reflexo de um cenário tóxico de desconfiança e de desilusão generalizada nas instituições e nos partidos tradicionais.
A crise do contrato social que temos testemunhado em Portugal, tem se manifestado, ao longo de cinco décadas, na crescente desigualdade econômica, na precariedade do mercado de trabalho e na dificuldade de acesso a serviços públicos essenciais, como saúde e educação.
Esses fatores têm alimentado um sentimento de abandono por parte do Estado, levando muitos eleitores a buscar alternativas políticas que prometem soluções rápidas e diretas.
Além disso, a instabilidade política recente, com sucessivas eleições e escândalos envolvendo líderes dos principais partidos, contribuiram para o desgaste da confiança na democracia representativa. A extrema-direita tem explorado esse cenário, ao adotar um discurso populista e nacionalista, enfatizando temas como imigração, segurança e soberania nacional.
O Chega, liderado por André Ventura, tem conseguido progressivamente capitalizar o descontentamento popular, de maneira que, tornou-se numa força política de grande relevância no sistema político português.
Eu penso que, para conter o crescimento da extrema-direita em Portugal, é urgente Fortalecimento dos partidos democráticos: Os partidos tradicionais podem adotar estratégias para reconquistar eleitores, abordando temas como desigualdade social e corrupção, de forma mais eficaz; Educação política e combate à desinformação: A extrema-direita tem utilizado redes sociais para disseminar desinformação. Investir em educação cívica e jornalismo independente pode ajudar a combater narrativas populistas; Mobilização social: Movimentos sociais e organizações podem promover debates e ações para reforçar valores democráticos e combater discursos extremistas; Reformas institucionais: Melhorar a transparência e eficiência das instituições públicas pode reduzir o descontentamento que alimenta o apoio a partidos populistas.






