Cem anos de história, de pessoas e de paixão pelo futebol
Celebrar 100 anos não é apenas assinalar uma data no calendário. É recordar gerações de jogadores, treinadores, árbitros e dirigentes que deram tempo, dedicação e, tantas vezes, dinheiro do próprio bolso para manter vivo o futebol e o futsal no nosso distrito. Quando penso neste centenário, penso sobretudo nas pessoas.
Naqueles dirigentes que chegam primeiro ao campo e são os últimos a sair. Nos pais que percorrem quilómetros para levar os filhos aos treinos. Nos árbitros que começam a sua caminhada nos campos distritais. E nos jovens que vestem a camisola do clube da sua terra com enorme orgulho.
Ao longo da minha ligação ao futebol e à arbitragem, tive a oportunidade de conhecer dois presidentes da Associação de Futebol de Viseu o Dr. José Alberto Ferreira, que liderou a instituição entre 2003 e 2020, e o atual presidente, Prof. José Carlos Lopes. São duas personalidades diferentes, com percursos e formas de liderança próprias.
Mas há uma ideia que, na minha opinião, os aproxima, uma associação não pode limitar-se a organizar campeonatos e, mas sim que tem de criar condições para que o futebol cresça.
Foi pela mão do Dr. José Alberto que começou a ganhar forma um dos projetos mais marcantes do futebol viseense, a Academia Distrital de Futebol, em Mundão.
Houve visão para imaginar aquele espaço, coragem para defender o investimento e persistência para transformar uma ambição num projeto concreto.
A Academia viria a ser inaugurada já durante a presidência do Prof. José Carlos Lopes, que lhe tem dado continuidade, utilização e dinamismo. E isso também merece reconhecimento. Porque construir uma infraestrutura é importante, mas fazê-la viver, abrir-lhe as portas e colocá-la ao serviço das seleções, da formação e dos nossos jovens é igualmente fundamental.
Gosto desta ideia de continuidade, dado que as instituições não começam nem acabam com quem as dirige. O trabalho de um presidente e das suas direções pode e deve ser a base sobre a qual o seguinte constrói mais e melhor. Quando isso acontece, quem ganha não são os dirigentes, são os clubes e todos os que vivem o futebol.
Naturalmente, nem tudo está feito. Os clubes continuam a enfrentar dificuldades financeiras, faltam voluntários e é necessário valorizar cada vez mais a formação, a arbitragem e o futebol feminino. Um centenário também deve servir para olhar com coragem para aquilo que ainda falta fazer.
Deixo, por isso, uma palavra de reconhecimento a todos os que fizeram parte destes 100 anos, incluindo aqueles que já não estão entre nós. E uma palavra especial aos dois presidentes que conheci, pelo contributo que deram e continuam a dar à Associação.
No futebol, como na vida, os cargos são passageiros e o que fica são a marca que deixamos durante a passagem pelos cargos, as oportunidades que se criam e a obra que se deixa aos que vêm depois.
Parabéns, Associação de Futebol de Viseu. Que os próximos 100 anos continuem a pertencer, acima de tudo, às pessoas do nosso distrito.





