
Sánchez promete "mais avanços sociais" e Feijóo "reconstrução nacional"
Sánchez, que lidera o atual Governo e o Partido Socialista espanhol (PSOE), e Feijóo, que lidera a oposição e o Partido Popular (PP, direita), disputam o cargo de primeiro-ministro nas legislativas antecipadas espanholas de novembro e fizeram hoje os primeiros comícios de campanha.
O líder do PSOE, primeiro-ministro há oito anos e atualmente sem maioria absoluta no parlamento, reivindicou, num comício em Dos Hermanas, Sevilha, as "conquistas sociais" dos executivos que liderou, em âmbitos como o aumento do salário mínimo, leis de igualdade de género ou que diminuíram a precariedade laboral, assim como as posições internacionais de "defesa da paz" ou "denúncia do genocídio" em Gaza.
Sánchez centrou-se também na crise da habitação, que tem levado milhares de pessoas às ruas em Espanha nas últimas três semanas e precipitou a queda do Governo e a convocatória de eleições, depois de o parlamento ter 'chumbado' medidas apresentados pelo executivo com o voto de partidos de direita e extrema-direita, incluindo o do PP.
O líder do PSOE prometeu que se voltar a ser eleito vai "reforçar e manter" essas medidas, que disse protegerem em simultâneo pequenos proprietários e inquilinos, e defendeu que só com uma "maioria ampla e progressista no parlamento" será possível vencer "a luta pela habitação" e ter "mais quatro anos de avanços sociais" em Espanha.
O líder da oposição, por seu turno, reivindicou, num comício em Madrid, a sua experiência de governação, à frente do executivo regional da Galiza entre 2009 e 2022, e prometeu um "projeto de reconstrução nacional" após oito anos de governos socialistas de Sánchez com, defendeu, "falsas promessas para a habitação", corrupção e desrespeito pelas instituições e pela separação de poderes.
"Sei o que é governar e sei o que custa", afirmou Alberto Núñez Feijóo, para a plateia de centenas de pessoas reunidas num auditório de Madrid em que estavam dois ex-primeiros-ministros espanhóis do PP, José Maria Aznar e Mariano Rajoy.
Marcando as diferenças que considera ter em relação a Sánchez, o líder do PP sublinhou "a honestidade das equipas" que sempre teve nos governos da Galiza ou que sempre apresentou e executou com correção os orçamentos, numa alusão a que na última legislatura, iniciada em 2023, o executivo nacional do PSOE e plataforma de esquerda Somar não apresentou uma única proposta e Orçamento do Estado ao parlamento.
"Espanha precisa de orientação e isso exige mais do que substituir um governo por outro; exige rever as regras, recuperar os contrapesos, fortalecer as instituições e devolver aos espanhóis a certeza de que o Estado está ao serviço de todos", disse Feijóo, que prometeu um "projeto de reconstrução nacional", com "ordem, segurança e prosperidade", se chegar a primeiro-ministro.
"Vamos reconstruir a nossa segurança para que as fronteiras sejam respeitadas e para que as leis sejam aplicadas", acrescentou, numa referência ao ocorrido em Ceuta, em julho, quando mais de 70.000 pessoas entraram ilegalmente na cidade em 24 horas.
A habitação, por um lado, e Ceuta, a imigração e o controlo de fronteiras, por outro, são os temas que previsivelmente marcarão a pré-campanha e a campanha das legislativas espanholas, atendendo aos discursos dos dirigentes políticos que se seguiram à convocatória das eleições na segunda-feira passada.
As sondagens mais recentes dão a vitória nas eleições de 29 de novembro ao PP, mas sem maioria absoluta, que alcançaria numa aliança com o Vox (extrema-direita). Os dois partidos têm assumido que se coligarão para tirar o PSOE e a esquerda do Governo de Espanha.







