
Ministro atribui queda nas aprendizagens ao impacto das redes sociais e à desvalorização da avaliação
O ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, atribui a degradação das aprendizagens dos alunos portugueses ao impacto negativo das redes sociais e à desvalorização da avaliação externa pelos governos anteriores.
Os alunos portugueses registaram o pior desempenho de sempre na prova de Leitura do Programa Internacional para a Avaliação de Estudantes (PISA), com um agravamento de uma tendência descendente que já representa mais de um ano de estudo perdido. A deterioração verificou-se também nas áreas da Matemática e das Ciências.
O ministro explicou que "a perda de aprendizagens não aconteceu por acaso" e destacou que o acesso precoce às redes sociais e a utilização dos 'smartphones' prejudicam a capacidade de concentração das crianças, afetando especialmente a leitura e o percurso escolar.
"Há fatores que são comuns e que ajudam a explicar esta trajetória muito negativa em quase todos os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), mas cada país pode e deve tomar medidas para contrariar", ressalvou Fernando Alexandre.
O governante referiu ainda que o Ministério da Educação não esperou pelos resultados do PISA para regular a utilização dos 'smartphones' nas escolas, tendo emitido uma recomendação em 2024 e implementado a partir de janeiro a proibição do seu uso até ao 9.º ano.
Além das redes sociais, o ministro apontou a desvalorização da avaliação externa nos últimos anos como outro fator para a degradação das aprendizagens. Sobre este tema, afirmou que a introdução das provas de Modernização da Aprendizagem (ModA), nos 4.º e 6.º anos, em 2024/2025, "permite acompanhar a evolução dos resultados dos alunos".
"A ausência deste instrumento foi uma das razões pelas quais não foi possível ter uma estratégia eficaz de recuperação das aprendizagens", destacou, acrescentando que o Governo "não precisou de esperar pelos resultados do PISA" para apostar na avaliação externa.
Fernando Alexandre esteve no parlamento para comentar os resultados do PISA 2025 e responder ao pedido de esclarecimentos da Iniciativa Liberal sobre atrasos na divulgação dos resultados das provas ModA e do 'ranking' das escolas.
O ministro lamentou que, contra o previsto, o Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQA) não tenha disponibilizado os resultados das avaliações ModA 2025/2026 antes do início do ano letivo, explicando que o atraso se deveu a problemas no processo digital de classificação dos exames do ensino secundário.
Por isso, admitiu a necessidade de antecipar a realização das provas ModA para abril, em vez de no final de maio, para poderem ser mais úteis às escolas.
Relativamente ao 'ranking' das escolas, Fernando Alexandre explicou que os dados do ensino secundário estão prontos desde março, mas a validação dos dados do 9.º ano demorou mais, devido à implementação do formato digital.
Estas bases de dados já foram disponibilizadas aos órgãos de comunicação social e a divulgação pública está prevista para 30 de outubro.







