
Portugal reage ao 'terramoto' Ronaldo com triunfo e exibição de 'gala'
A seleção portuguesa reagiu ao ‘terramoto’ Cristiano Ronaldo com um triunfo frente à Dinamarca (4-2), na sempre difícil deslocação a Copenhaga, resultado que deixa a equipa das ‘quinas’ com caminho aberto na Liga das Nações de futebol.
Em Copenhaga, 24 horas depois de Cristiano Ronaldo ter abandonado de forma totalmente inesperada o estágio por própria iniciativa, Portugal cumpriu uma das melhores exibições coletivas dos últimos tempos, falhando apenas a nível defensivo, em que mostrou alguma fragilidade.
Em duelo da terceira jornada do Grupo A4, João Cancelo, aos 13 minutos, Gonçalo Ramos, aos 25, Vitinha, aos 67, no seu primeiro golo de sempre pela seleção nacional, e João Félix, outra vez, aos 87, marcaram para a equipa de Jorge Jesus, enquanto a Dinamarca ainda chegou a empatar por duas vezes, por Damsgaard, aos 23, e Hojlund, aos 53.
Portugal, detentor do título, leva assim nove pontos e continua 100% vitorioso na Liga das Nações e com Jorge Jesus, podendo já garantir o apuramento para os quartos de final no domingo, frente à Noruega, no Porto.
Depois do seu capitão ter desertado a equipa a menos de um dia de um duelo bem difícil no Estádio Parken, a seleção nacional uniu-se no relvado, com Bruno Fernandes, de braçadeira ao braço, em destaque, assim como Gonçalo Ramos e João Félix, que até foi suplente utilizado, mas imitou o que já tinha feito ao País de Gales (2-0) e Noruega (2-1).
Bruno Fernandes, de regresso ao ‘onze’, foi o motor de Portugal e fez duas assistências de grande nível nos golos de Gonçalo Ramos e Vitinha, enquanto o avançado do AC Milan também juntou uma assistência, no golo de inaugural de Cancelo.
Herdeiro natural de Cristiano Ronaldo na posição de ponta de lança, Gonçalo Ramos, que também já tinha ‘faturado’ em Oslo, chegou aos 13 golos em 30 internacionalizações, apenas 12 como titular.
Nuno Mendes, na esquerda, também esteve em destaque, como aliás é habitual, mas o que fica para a memória é uma excelente exibição coletiva de Portugal, de grande personalidade e união, e que resultou num triunfo mais do que justo em Copenhaga, tal a superioridade demonstrada.
A Dinamarca até teve o primeiro lance de perigo da partida, com a bola a circular por perto da linha de golo da baliza lusa após um centro da direita, mas foi Portugal a ‘pegar’ no jogo e chegar à vantagem com alguma facilidade.
Poucos segundos depois de ter acertado no poste, Gonçalo Ramos isolou João Cancelo, com lateral a bater com classe e com frieza o guardião Hermansen. O primeiro golo português resultou de uma excelente combinação coletiva, numa quase ‘festival’ de passes curtos e ‘tabelinhas’, com a jogada só terminar com a bola nas redes escandinavas.
O encontro foi nesta fase de total domínio de Portugal, que só não aumentou a diferença por ‘culpa’ de Rafael Leão, que hoje rendeu João Félix no ‘onze’ inicial.
No primeiro lance, o avançado permitiu a defesa do guardião dinamarquês e, no segundo, acabou por falhar o alvo, quando estava em excelente posição.
A equipa de Jorge Jesus foi desaproveitando oportunidades e por culpa própria acabou mesmo por permitir o empate, acabando por ser apanhado de surpresa após um canto a favor.
A formação da casa aproveitou alguma lentidão lusa na recuperação e Damsgaard, solto e já dentro da área, atirou colocado, não dando qualquer hipóteses de defesa a Diogo Costa, que ainda se esticou sem sucesso.
Com o empate, seria esperado algum entusiasmo por parte dos dinamarqueses mas, logo de seguida, Portugal pôs logo fim a qualquer tipo de ‘revolta’ escandinava.
Em nova jogada coletiva de grande qualidade, Bruno Fernandes isolou na perfeição Gonçalo Ramos, que na saída de Hermansen atirou com facilidade para o 2-1.
Até intervalo, sempre com um jogo coletivo de grande nível, Portugal continuou a chegar com frequência à área rival e Gonçalo Ramos ficou mesmo perto do ‘bis’, com o guarda-redes dinamarquês a impedir novo golo.
A segunda parte arrancou com Bruno Fernandes a deixar a ferver as mãos de Hermansen, mas logo depois com o empate da Dinamarca, por Hojlund, que fugiu em corrida com demasiada facilidade a Rúben Dias, a bater isolado um desamparado Diogo Costa.
Outra vez, a Dinamarca parecia que ia crescer, teve alguns minutos a ocupar o meio campo luso, mas Portugal novamente reagrupou-se e com justiça voltou à vantagem, já depois de perdidas de Gonçalo Ramos e Rúben Neves.
Já com Dalot (saiu Cancelo) e Trincão (saiu Leão) em campo, Bruno Fernandes, com mais uma grande bola, encontrou Vitinha completamente solto na grande área e médio respondeu com sucesso de cabeça.
Tal como já tinha acontecido em Oslo até final, Portugal passou a dominar todas as fases do encontro, não deixando a Dinamarca voltar a criar qualquer ocasião de perigo e acabou mesmo por chegar ao quarto golo, num lance em que teve a bola em seu poder mais de dois minutos seguidos.
Após vários passes, Rúben Neves, com um passe incrível, lançou Dalot na direita e o lateral, já dentro da área assistiu João Félix, que tinha rendido Gonçalo Ramos pouco antes.








