
Projeto desfaz mitos sobre comer insetos e aquacultura
Alunos do ensino secundário e superior vão aprender a desconstruir mitos sobre o consumo de produtos de aquacultura e de insetos, num projeto-piloto que visa mudar mentalidades quando as alterações climáticas e a economia pressionam a produção alimentar.
Segundo explica à Lusa Elisabete Matos, responsável pelo projeto-piloto Food4Thought, a iniciativa é financiada pelo institutoa instituição privada de ensino superior Egas Moniz, em Almada (Setúbal), e tem a parceria do laboratório colaborativo para a economia azul B2E - Blue Bioeconomy CoLAB, bem como a empresa de biotecnologia Thunder Foods, decorrendo, até agosto do próximo ano, na Escola Secundária de Estarreja (distrito de Aveiro), na própria Egas Moniz e ainda na Universidade Politécnica de Santarém.
Em cima da mesa estão várias ações que procuram dar mais informação a jovens sobre o peixe de aquacultura e quão seguro é ingeri-lo e também sobre alimentos com base em insetos, em que o fator "nojo" conta muito, diz a professora universitária e investigadora na Egas Moniz.
"No caso dos insetos, temos trabalhado muito o lado emocional, porque a maior parte das vezes é mais o nojo que se sente em relação a este produto do que propriamente uma razão lógica, como 'é pouco seguro' [um mito associado à aquacultura]. É o nojo. Uma coisa são as nossas decisões lógicas, outra são as reações emocionais", explica a investigadora.
Segundo Elisabete Matos, depois de inquéritos, 'focus group' e de trabalho académico, sairá um jogo de tabuleiro, em formato 'escape room', sobretudo indicado para jovens adultos, com técnicas "de pedagogia, como gamificação e aprendizagem ativa".
"Como é que podemos fazer perguntas e exigir mais informação no supermercado sem saber o básico? Tem sido curioso, desafiante, muito interessante. (...) Só falando sobre isto, e tornando isto um assunto que não é tabu, mas que se discute em todo o lado e que é assunto comum, é que vamos começar a ficar menos sensíveis a esta questão. Por um lado, exposição e comunicação. Por outro lado, há três tipos de pessoas. Aquelas que dizem 'nunca, jamais', outras que têm imensa abertura a experimentar, e as pessoas que olham com um olhar algo desconfiado", conta.
Como estes jovens "vão em breve tomar decisões nos supermercados sobre a sua alimentação, e ainda têm idade para absorver conhecimentos", o projeto pretende mudar mentalidades numa altura em que as alterações climáticas e decisões económicas a nível macro pressionam a agricultura, a pesca e a produção alimentar, sobretudo no que toca à proteína, seja para consumo humano ou animal.







