
Notas dos exames nacionais na época extraordinária caem quase pela metade
As notas dos alunos que realizaram os exames nacionais do ensino secundário na época extraordinária baixaram em comparação com a 1.ª fase, com quase metade das disciplinas a a descerem de uma média positiva para negativa, segundo dados do Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI).
As classificações das mais de 21 mil provas realizadas na primeira semana de setembro pelos alunos do 11.º e 12.º anos foram hoje afixados nas escolas, revelando um decréscimo geral das médias.
Na 1.ª fase, apenas a prova de Literatura Portuguesa tinha uma média negativa, enquanto que nesta época extraordinária nove disciplinas passaram a apresentar médias negativas.
A disciplina de Literatura Portuguesa desceu de uma média de 9,6 valores para 7,3 valores, refletindo o desempenho dos 37 alunos que realizaram a prova na época especial criada pelo Governo para garantir que ninguém fosse prejudicado pelos problemas registados na digitalização das provas e na afixação dos resultados.
Comparativamente à 1.ª fase, as médias subiram apenas em três disciplinas: Desenho A, que passou de 13,9 para 15 valores; História B, que subiu para 12,1 valores (mais 0,8 valores); e Alemão, que aumentou de 13,1 para 18,4 valores, resultado do único aluno inscrito e que realizou a prova nesta época especial.
Português, disciplina obrigatória para todos os alunos do 12.º ano, registou uma descida de uma média superior a 11 valores para 9,3 valores. Também as disciplinas de Biologia e Geologia, Economia A, Geometria Descritiva, Filosofia e as três provas de Matemática passaram de média positiva para negativa.
O MECI afirmou que a classificação digital desta época especial decorreu conforme previsto, mas salientou que "isto não invalida a melhoria de que este processo será alvo no próximo ano letivo".
Em comunicado, o ministério entende que as melhorias observadas na 2.ª fase e na época extraordinária demonstram "a capacidade de ultrapassar rapidamente os constrangimentos verificados na 1.ª fase", em que as notas foram afixadas tardiamente e milhares de alunos tiveram de esperar vários dias para conhecer os seus resultados.
Durante a época extraordinária, verificou-se um "número muito residual de situações de erro reportadas pelos professores classificadores", que foram "rapidamente corrigidas", acrescenta a tutela.
As mais de 21 mil provas correspondem a mais de 160 mil itens, classificados por professores que irão receber um euro por cada item classificado digitalmente e 10 euros por cada prova corrigida em papel. O ministério recorda que desde 2010 que os professores não eram remunerados por este trabalho.
Tal como nas outras épocas, os alunos terão acesso gratuito às provas em formato PDF.
No caso de o mesmo exame ter sido realizado na 2.ª fase e na época extraordinária, conta a melhor classificação obtida para concorrer à 2.ª fase do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior, cujo prazo de candidatura termina a 20 de setembro.
O Governo referiu ainda que solicitou ao Conselho Nacional de Educação (CNE) um relatório, a entregar até ao final do ano, que irá apreciar o modelo de avaliação externa das aprendizagens, analisar os constrangimentos e formular recomendações estruturais para o seu aperfeiçoamento e para a preparação dos futuros ciclos de avaliação externa.







