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Polícias acusados de tortura começaram hoje a prestar declarações

O principal arguido, de 22 anos e em prisão preventiva desde que foi detido em julho de 2025, está acusado de 29 crimes

Os dois polícias da esquadra do Rato, em Lisboa, que estão acusados de crimes de tortura e violação, começaram hoje a prestar declarações na primeira sessão de julgamento que decorre à porta fechada. 

À saída do tribunal, a advogado de um dos arguidos, Filipa Duarte Gonçalves, adiantou que “as declarações dos arguidos ainda não terminaram”, garantindo que “estão todos a prestar declarações no sentido de apurar a verdade material e colaborar com o tribunal”.

A próxima sessão está agendada para o dia 06 de outubro e este julgamento decorre à porta fechada, tendo o Conselho Superior da Magistratura (CSM) explicado, numa nota enviada aos jornalistas, que a exclusão de publicidade pela “natureza dos crimes em causa e a necessidade de proteger a dignidade, a intimidade e a vida privada dos intervenientes processuais, em particular das alegadas vítimas”.

“A decisão considera ainda que a discussão em julgamento implicará a abordagem de matérias de elevada sensibilidade e que a presença de público poderá afetar a produção da prova e o normal decurso da audiência”, acrescentou o CSM.

Entre o direito à informação e os direitos à intimidade e à dignidade das pessoas envolvidas, referiu ainda o CSM, “o Tribunal considerou a restrição necessária, adequada e proporcional”, sendo que a leitura do acórdão será a única sessão pública.

Segundo a acusação do Ministério Público, entre julho de 2024 e março de 2025, os dois polícias da esquadra do Rato terão agredido com "socos e chapadas e coronhadas na cabeça pessoas que tinham detido, tendo inclusivamente filmado e fotografado algumas dessas situações e as respetivas vítimas".

Em alguns casos, terão sodomizado ou tentado sodomizar com um objeto alguns dos homens detidos.

Este processo chegou a ir a fase de instrução, para que o tribunal de instrução avaliasse se existiam indícios suficientes para julgamento, tendo a juíza considerado que a acusação tem "indícios suficientes" de que os polícias cometeram os crimes de que estão acusados pelo Ministério Público e que existe uma "séria probabilidade" de serem condenados no final do julgamento.

O principal arguido, de 22 anos e em prisão preventiva desde que foi detido em julho de 2025, está acusado de 29 crimes: seis de tortura, cinco de violação - quatro tentativas e uma consumada -, sete de abuso de poder, três de ofensas à integridade física qualificada, dois de falsificação de documento, um de furto qualificado, um de violação de correspondência, dois de roubo e dois de detenção de arma proibida.

O outro polícia, de 26 anos, também detido em julho de 2025, está acusado de sete crimes - dois de tortura, três de abuso de poder, um de ofensa à integridade física e outro de detenção de arma proibida - e encontra-se atualmente em prisão domiciliária.

As vítimas eram sobretudo toxicodependentes, pessoas que cometeram pequenos delitos, muitos deles estrangeiros e em situação irregular em Portugal, ou em situação de sem-abrigo, refere o Ministério Público na acusação, acrescentando que algumas das imagens dos abusos foram partilhadas em grupos de WhatsApp com dezenas de outros agentes da PSP.

Setembro 11, 2026 . 15:15

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