A oportunidade para continuar a escrever história no Fontelo
A vitória por 1-0 frente ao Gil Vicente, a primeira do clube na I Liga em 37 anos e 199 dias, permitiu chegar aos cinco pontos, em cinco jornadas, e colocou a equipa perante uma oportunidade histórica já no próximo sábado, frente ao Vitória de Guimarães: a possibilidade de alcançarem o melhor arranque de sempre no escalão máximo do futebol português!
Os números ajudam a perceber a dimensão do momento. Em todas as anteriores participações do Académico na primeira divisão, nunca o clube conseguiu duas vitórias e dois empates nos primeiros seis jogos do campeonato, como agora tem à mercê.
Vejamos: Em 1978/79, os viriatos somavam 4 pontos à sexta jornada (duas vitórias e quatro derrotas); em 1980/81, seis pontos (uma vitória; quatro empates; uma derrota); em 1981/82, três pontos (uma vitória; um empate, quatro derrotas); e em 1988/89, 4 pontos (quatro empates; duas derrotas). Agora, em 2026/27, o Académico chega à sexta jornada já com os tais cinco pontos, fruto de uma vitória (Gil Vicente), dois empates (Benfica e Marítimo) e duas derrotas (Santa Clara e FC Porto).
Se vencer o Vitória, aos oito pontos em seis jornadas, garantindo então o melhor arranque da sua história na principal competição do futebol português - é certo que as vitórias e os empates valem agora mais pontos do que no passado, mas será sempre a melhor conjugação de resultados (E-D-E-D-V-V). E por isso mesmo dará outro significado a um início de campeonato de enorme exigência, que colocou no caminho Benfica, Santa Clara, Marítimo, FC Porto, Gil Vicente e, agora, Vitória de Guimarães.
Há outro dado que merece ser valorizado. O Académico foi a Barcelos impor a primeira derrota ao Gil Vicente e marcou o primeiro golo sofrido pela equipa minhota neste campeonato, quase 38 anos depois do último triunfo fora de portas (Braga, a 16 de outubro de 1988), num jogo de enorme sofrimento, em que o treinador Bruno Pinheiro destacou mais uma vez o papel fundamental dos adeptos no apoio à equipa.
Este reconhecimento surge na sequência do sucedido na recepção ao FC Porto, quando o técnico destacou que, no Fontelo, mesmo perante um grande, é o Académico que joga em casa. A mesma casa cheia que já tinha acontecido perante o Santa Clara, numa demonstração de mobilização que importa transformar numa constante e não numa exceção.
Também Luís Silva, capitão de equipa, destacou recentemente a importância dessa ligação entre bancada e relvado. Por isso, numa época em que cada ponto pode ter um peso decisivo, o apoio de Viseu não é um detalhe. É crucial. E sábado, perante o Vitória, mais um adversário exigente, chegará então mais uma oportunidade para percebermos aquilo que queremos que o Fontelo represente neste regresso à I Liga.
O Académico esperou 37 anos para voltar. Esperou também 37 anos e 199 dias para voltar a ganhar. No próximo jogo poderá alcançar algo que nunca conseguiu: o melhor arranque de sempre na Liga. A equipa tem a oportunidade de escrever essa página dentro do campo. Cabe a Viseu fazer a sua assinatura: garantir mais um dia épico num Fontelo cheio.
PS: Absolutamente histórico ver o nosso Fontelo engalanado, a receber a final da Supertaça Feminina, num estádio belíssimo, de relvado perfeito e até com a infraestrutura interna, que não cabe nas imagens de jogo e de festa, recuperada (balneários, etc.). Na tribuna, as mais altas instâncias da Cidade e do futebol português.
Tudo perfeito, convém só fazer justiça a a um facto: este Fontelo de hoje não seria possível sem as obras adiantadas e executadas pelo investidor que devolveu o Académico ao topo do futebol português, numa parceria com o Município liderado por João Azevedo (que em bom tempo reconheceu o verdadeiro potencial do novo Académico). Com este entendimento, ao que tudo indica, Viseu têm condições para não ficar por aqui.





