
Nova SBE alcança 2.º lugar em ranking mundial dos mestrados em gestão
A Nova School of Business and Economics (Nova SBE), com sede em Carcavelos, Oeiras, congratulou-se ontem com o «feito histórico» alcançado pelo seu Mestrado Internacional em Gestão, que ficou posicionado no 2.º Lugar Mundial do Ranking de Mestrados em Gestão do Financial Times.
«A Nova SBE volta não só a ser a instituição portuguesa mais bem classificada neste ranking global, mas agora também no pódio das melhores business schools, à frente de escolas como INSEAD, HEC Paris ou London Business School», destaca uma nota publicada no site da instituição, que foi criada em 1978 como parte da Universidade Nova de Lisboa.
Também Pedro Santa Clara, professor catedrático, economista e empreendedor, expressou, em texto que transcrevemos nesta página, a sua satisfação por esta classificação da escola onde dá aulas de Finanças e para cujo sucesso e afirmação contribuiu.
O ranking, divulgado ontem, avalia anualmente os 100 melhores mestrados de gestão do mundo, com base em 19 critérios que incluem, entre outros, a avaliação de progressão de carreira, internacionalização, diversidade e sustentabilidade.
O Mestrado Internacional em Gestão da Nova SBE subiu duas posições em relação à edição anterior, resultado que «confirma a ascensão notória da melhor business school portuguesa», que no ranking de 2021 ocupava o 23.º lugar, tendo subido 21 posições em apenas cinco anos.
A escola sublinha que um dos indicadores que mais se destaca neste resultado é a satisfação global dos alumni (antigos alunos), que atribuem ao programa uma classificação de 9,53 em 10, correspondente ao 3.º lugar mundial no indicador Overall Satisfaction. Um indicador que, observa, avalia o grau de satisfação global dos alumni com o programa de mestrado.
Pedro Oliveira, dean (diretor) da instituição, considera que o 2.º lugar mundial no Financial Times Masters in Management representa «um marco histórico para a Nova SBE e o resultado de uma trajetória de evolução consistente».
«Em apenas cinco anos, o nosso Mestrado Internacional em Gestão passou do 23.º para o 2.º lugar, afirmando-se hoje entre os melhores programas do mundo. Mais do que a classificação em si, este resultado reconhece a qualidade da experiência que proporcionamos aos nossos alunos e o impacto que essa jornada tem nas suas carreiras assim que graduam. Este feito histórico é, também, o reflexo de uma comunidade académica e profissional que, em conjunto, tem vindo a construir uma escola cada vez mais internacional, exigente e orientada para o futuro», conclui.
Olhar para a lição que falta à economia portuguesa

Pedro Santa Clara, professor da Nova SBE
Rebento de orgulho. Fui aluno desta casa e depois tive um papel no que se seguiu.
Em 2014 a Nova SBE era uma escola com uma ideia que na altura parecia excêntrica: construir um campus com donativos privados. Foram cinco anos a bater a portas. Cinquenta empresas. Mais de mil e quinhentas pessoas, muitas delas antigos alunos. Mais de cinquenta milhões de euros. O campus inaugurou em 29 de setembro de 2018.
Do 48.º ao 2.º lugar não se chega com um edifício bonito. Chega-se com professores extraordinários. Com career services que fazem placement em todo o mundo. Com 2.000 alunos de mais de cem nacionalidades.
Portugal não é segundo do mundo em mais nada que interesse. Nem no futebol.
Temos um mestrado, numa escola pública, à frente de quase tudo o que existe no planeta. E quem olhar para a Nova SBE encontra ali a lição que falta à economia portuguesa. A escola recruta professores internacionais e paga-lhe a preço de mercado. Quem contrata um investigador para Carcavelos está a disputá-lo com o resto do mundo.
A maioria das empresas portuguesas não faz nada disto. Paga muito abaixo do que se paga na Europa e queixa-se de que não encontra gente.
A diferença não está na virtude de umas e no vício das outras. Está no mercado onde cada uma escolheu jogar. A Nova SBE compete internacionalmente por qualidade, e quem compete por qualidade paga por ela. A maioria do tecido empresarial português compete em preço, ou vive em mercados domésticos abrigados sem pressão para subir a fasquia. Os salários baixos refletem onde decidimos jogar.
O que me continua a espantar é que ninguém tenha copiado. Passaram oito anos. Está ali, à vista de toda a gente, a prova de que uma faculdade pública portuguesa consegue chegar ao segundo lugar do FT. Não conheço outra faculdade que tenha tentado fazer o mesmo. Não falta talento a Portugal. Falta ambição institucional, e isso não acontece — escolhe-se.
E falta dizer a parte que estraga a festa. As propinas de mestrado continuam congeladas. O Governo propôs descongelá-las em setembro do ano passado; o Parlamento chumbou em novembro, com o PS a apresentar o congelamento e o Chega a viabilizá-lo.
É populismo bacoco, e é caro. Uma escola que disputa os melhores professores do mundo tem de poder cobrar ao aluno de mestrado o que o serviço vale, e usar a diferença em bolsas para quem tem mérito e não tem meios. Um teto artificial impede exatamente isso. Congelar a propina não protege o aluno pobre: protege o aluno rico, que podia pagar e não paga, e retira à escola o dinheiro com que se financiaria a bolsa do outro.








