
Von der Leyen chega à Gronelândia com "pacote de medidas substancial"
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, chegou hoje à Gronelândia levando “um pacote de medidas substancial”, numa visita em que pretende reafirmar o compromisso da UE com o território autónomo dinamarquês ameaçado pela administração Trump.
"A última vez que estive aqui foi há dois anos e, nessa ocasião, prometi que voltaria com um pacote de medidas substancial. E hoje posso dizer que vou cumprir essa promessa", disse a líder europeia, em declarações à chegada a Nuuk, capital da Gronelândia.
A chefe do executivo da UE foi recebida no aeroporto pela primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, e o presidente da Gronelândia, Jens-Frederik Nielsen. O primeiro-ministro das ilhas Faroé, Beinir Johannesen, também está previsto juntar-se aos três ainda hoje.
"Somos uma família", disse Von der Leyen.
"O que acontece no Ártico afeta diretamente o resto da Europa, e uma forte parceria com a Gronelândia é crucial para a nossa posição na região", sublinhou o comissário europeu para as Parcerias Internacionais, Jozef Síkela, que também participa na visita.
A presidente da Comissão Europeia esteve em Nuuk em março de 2024, quando Mute B. Egede era presidente da Gronelândia.
Durante essa visita, inaugurou um novo escritório da União Europeia (UE) e assinou dois acordos de cooperação no valor de quase 94 milhões de euros, que permitiram investimentos em educação e formação na ilha e apoiar a transição para energias limpas.
Desde então, a situação na Gronelândia, um território autónomo dinamarquês, mudou, especialmente como resultado das repetidas aspirações de anexação expressas pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, a mais recente em julho passado à margem da cimeira da NATO.
Trump disse então que a Gronelândia era "muito importante" para os Estados Unidos, mas "não para a Dinamarca", e reiterou que Washington "precisa da Gronelândia para a proteção do mundo, não apenas dos Estados Unidos", uma vez que afirma que navios submarinos russos e chineses operam perto da ilha ártica, embora tanto Copenhaga como Nuuk o tenham negado.
As tensões em torno das aspirações de Trump na Gronelândia já se estenderam por 2025 e apenas se dissiparam parcialmente em janeiro passado, quando o Presidente dos EUA alcançou um pré-acordo com o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, em Davos (Suíça), para reforçar a segurança no Ártico.
Como resultado deste pré-acordo, foi criado um grupo de trabalho composto por representantes norte-americanos, gronelandeses e dinamarqueses para encontrar soluções para os interesses de segurança dos Estados Unidos até ao final do ano.
Paralelamente, a UE está a rever a sua política no Ártico para garantir que está pronta para responder aos desenvolvimentos atuais e futuros.
Von der Leyen planeia anunciar um maior apoio financeiro à Gronelândia durante a sua visita, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros da ilha, Mute B. Egede, na quarta-feira passada.
Segundo o jornal Financial Times, seriam 200 milhões de euros.
Está também prevista a assinatura de uma nova declaração conjunta da UE, do Governo da Gronelândia e do Governo da Dinamarca sobre as relações entre o bloco e a ilha.
A chefe do executivo europeu reafirmou hoje que a UE e a Gronelândia mantêm "uma colaboração e amizade de longa data" e assegurou que têm "trabalhado intensamente juntos" neste pacote de medidas "para fortalecer a relação nos próximos anos".
Por sua vez, a primeira-ministra dinamarquesa também salientou que todas as partes têm trabalhado "para aproximar ainda mais a União Europeia de todas as regiões do Reino da Dinamarca, incluindo a Gronelândia".
"Agora temos algo substancial. Ainda há coisas para discutir e desenvolver, mas a direção é realmente boa", acrescentou.
No primeiro dia da viagem, Von der Leyen visitará a camada de gelo da Gronelândia de barco juntamente com Nielsen e Frederiksen, enquanto na segunda-feira os três líderes lançarão o projeto melhorado de conectividade por satélite para a Gronelândia nas instalações de Tusass.








