Última Hora

Académico. O grande que joga em casa no Fontelo

Setembro 3, 2026 . 14:00
Há imagens que valem mais do que mil palavras.

E há outras que, precisamente pela sua força, podem esconder parte da história.
A fotografia de um avô a tentar entrar no Fontelo com o neto, vestido com a camisola do FC Porto, é uma delas. É humana, emociona e compreende-se a atenção mediática. O problema não está na fotografia. Está na narrativa construída a partir dela.
Porque a grande imagem de sábado deveria ser também esta: 6.746 espectadores, 99,4% de ocupação e uma esmagadora maioria de adeptos academistas. Perante um clube com a dimensão do FC Porto, Viseu encheu a sua casa. Um dos “grandes” chegou ao Fontelo e encontrou-se em minoria.
Naturalmente, todos nos sensibilizamos quando uma criança está envolvida. Queremos famílias nos estádios e experiências positivas. Mas queremos também segurança. E é precisamente para isso que existem regras, incluindo a proibição de adereços do clube visitante em determinados setores destinados aos adeptos da casa.
Na Porta 1 aconteceu, aliás, uma situação semelhante: um pai chegou acompanhado pelo filho com a camisola do FC Porto. A solução foi simples e conciliadora: a criança vestiu-a do avesso e ambos entraram juntos. Não existiu qualquer orientação para impedir crianças de assistir ao jogo. Existiram regras para setores diferentes, previamente definidas e comunicadas por razões de segurança.
Certamente também ninguém esperaria encontrar uma camisola do Académico no setor reservado aos adeptos do FC Porto.
Por isso, é legítimo perguntar: onde ficou o contraditório?
A fotografia do avô e do neto circulou, foi comentada e rapidamente transformada numa conclusão. Mas quantos conheceram o contexto? Uma imagem pode emocionar ou indignar. Não deve substituir os factos.
Olhemos então para o resto da fotografia: para as 6.746 pessoas, para as famílias vestidas de negro, para uma cidade mobilizada e para um clube que, 37 anos depois, regressou à Primeira Liga e mostrou que consegue encher a sua casa perante um gigante do futebol português.
O avô e o neto merecem a nossa empatia. Mas o Académico cumpriu regras de segurança previamente estabelecidas. Uma coisa não invalida a outra.
Bruno Pinheiro disse depois do jogo algo particularmente significativo: pela primeira vez, defrontou um grande sentindo verdadeiramente que jogava em casa.
Pois é exatamente isso.
No Fontelo, o grande que joga em casa é o Académico. Com respeito pelo adversário, pela competição e pelas regras. Com Viseu nas bancadas e uma identidade cada vez mais forte.
É assim que queremos continuar a escrever 112 anos de história. E mostrar que regressámos à Primeira Liga para ficar.
Viva o Académico!

Setembro 3, 2026 . 14:00

Partilhe este artigo:

Junte-se à conversa
0

Espere! Antes de ir, junte-se à nossa newsletter.

Comentários

Seguir
Receba notificações sobre
0 Comentários
Fundador: Adriano Lucas (1883-1950)
Diretor "In Memoriam": Adriano Lucas (1925-2011)
Diretor: Adriano Callé Lucas
94 anos de história
bubblecrossmenuarrow-right