O Académico está a lutar para fazer a sua parte; e a arbitragem?
Os números são objetivos. O Académico está entre as equipas com mais penáltis assinalados contra neste início de Liga Betclic: dois. Mais preocupante é perceber o peso que tiveram. Frente ao Santa Clara, no Fontelo, uma suposta falta de Rúben Pereira abriu caminho para a derrota. Nos Barreiros, nova grande penalidade, com Ceitil a aparecer na foto da alegada irregularidade, permitiu ao Marítimo chegar ao empate. Contas feitas, estamos a falar de decisões com influência direta em três pontos.
É impossível saber o que aconteceria sem esses lances. Futebol não é matemática. Mas é legítimo constatar que, em vez dos atuais dois pontos e do 12.º lugar, o Académico poderia perfeitamente ter cinco pontos e estar entre os sete primeiros – a espreitar lugares europeus.
Dificilmente alguém poderia considerar essa classificação um acaso. Sejamos justos, o Académico bateu-se em todos os jogos até aqui. Na Luz, no regresso à Primeira Liga 37 anos depois, empatou 2-2 com o Benfica e mostrou imediatamente que não regressou apenas para participar. Contra o Santa Clara, mesmo sem uma exibição particularmente conseguida, como aliás foi assumido pela equipa, sobretudo na primeira parte, os Viriatos fizeram mais do que o suficiente para discutir o resultado até ao fim. E, na Madeira, a eqquipa chegou ao intervalo a vencer o Marítimo por merecidos 2-0, por que podiam ser 3-0 logo no reatar da partida, estando muito perto de conquistar a primeira vitória nesta nova passagem pelo principal escalão.
Há, por isso, uma questão incómoda que merece ser colocada: estes dois penáltis, encontrados em lances de interpretação tão fina, à lupa, seriam assinalados com a mesma facilidade num jogo de um dos chamados grandes?
Não se pede qualquer benefício. Nem faria sentido transformar três jornadas numa teoria de perseguição. Mas pede-se igualdade de critério. Porque para um clube que regressa à Primeira Liga depois de quase quatro décadas, que luta pela permanência e que sabe como cada ponto pode ser decisivo em maio, perder três pelo caminho devido a decisões desta natureza tem um peso enorme, que pode vir a ser decisivo.
E surge então outra pergunta, ainda mais difícil: quem devolve esses pontos ao Académico?
A resposta, infelizmente, conhecemos. Ninguém. Uma eventual avaliação negativa de uma decisão, um reconhecimento posterior do erro ou a classificação atribuída à equipa de arbitragem nunca alteram a tabela. Os pontos ficam onde ficaram. E alteravam completamente a situação do Académico para um próximo capítulo, de dificuldade máxima.
Sábado, o FC Porto, campeão nacional, chega ao Fontelo. Numa tarde de festa, Viseu voltará a receber um daqueles grandes jogos de que esteve privado durante 37 anos. Bancadas cheias, cidade mobilizada e um Académico novamente confrontado com uma montanha para escalar.
Que ganhe quem jogar melhor, quem marcar mais, quem merecer dentro das quatro linhas. O Académico tem demonstrado que está preparado para fazer a sua parte: competir, sofrer e lutar por cada ponto. Esperemos que, no Fontelo, encontre também uma equipa de arbitragem à altura.






