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“As Festas do Concelho de Sátão são também a nossa cultura e as nossas tradições”

Em entrevista ao Diário de Viseu, o presidente do Município de Sátão destaca a importância das tradições no Dia do Município, aponta o abastecimento de água como principal preocupação e revela os projetos que quer ver avançar no concelho

Este ano, o Dia do Município mantém um programa semelhante ao dos anos anteriores?

Este ano não será muito diferente. O Dia do Município vai começar logo pela manhã com a Feira do Gado, que é normal. Será uma feira e, dentro da feira, será a Feira do Gado. Depois teremos também a missa dominical, onde normalmente os vereadores estarão sempre presentes.

De tarde temos o Prémio Literário Cónego Albano Martins de Sousa, que será no Salão Nobre. Depois temos uma exposição na Casa da Cultura, de uma fotógrafa que tirou várias fotografias do concelho, às pessoas, à beleza natural e também, sobretudo, a alguns ranchos folclóricos e ao património religioso. Temos ainda um pouco de cultura das nossas raízes, com o festival de folclore. E, à noite, encerramos com o Nininho Vaz Maia.

É um regresso do Prémio Literário, depois de no ano passado não ter sido atribuído?

No ano passado não houve obras porque o júri entendeu que, de todos aqueles que concorreram, nenhum deles merecia ganhar. Mas este ano vai haver Prémio Literário. Já está resolvido, já sabem quem é. E, portanto, vamos ter aqui o Prémio Literário no Salão Nobre, como é habitual.

Câmara Sátão
“A minha mensagem para este Dia do Município é esta: venham visitar o concelho de Sátão”

A inauguração da exposição de fotografia é também uma forma de dar a conhecer melhor o concelho?

É uma exposição da fotógrafa Teresa Santos que, se a memória não me falha, é de Coimbra. Fez uma série de fotografias e, no fundo, chama-se “Sátão em Imagens”. Tem gente simples, da tradição, e depois um pouco de tudo. É a identidade do concelho. Há fotografias do nosso pão, dos nossos bolos de azeite, do nosso arroz de míscaros, das nossas chouriças, que depois são assadas nas panelas antigas.

Temos também algumas imagens do nosso mel, de algumas pessoas que se dedicam ao artesanato, dos nossos ranchos e grupos, além das romarias. É, no fundo, muito do que temos no nosso concelho. Depois temos a beleza natural, é a identidade do concelho, sem dúvida nenhuma.

A Feira do Gado já é uma tradição com muitos anos. Que importância continua a ter para a comunidade?

Nós este ano publicámos, na entrada da câmara, as festas de São Bernardo da década de 40. E, no fundo, o que se falava das festas da altura era, sobretudo, da Feira do Gado. Não havia artistas, não havia nada, mas havia a grande Feira do Gado. Sátão tinha três feiras, duas delas muito importantes, Carvalhal e Pereiro, e depois a de Lamas. Estas Feiras de Gado eram muito importantes.

Na altura, como havia uma agricultura de subsistência e havia muita gente que tinha muito gado, mesmo as grandes trocas e o dinheiro eram à custa disto.Com o tempo, foi acabando tudo. Mas a Feira do Gado ainda existe.

Provavelmente, vamos ter três agricultores do concelho que ainda têm gado: um de Rio de Moinhos, outro de Ferreira de Aves e outro de Avelal. Apesar de a agricultura não dar pouco ou nada, eles ainda continuam.

Nós mantemos o prémio de presença e depois com os prémios do primeiro, segundo e terceiro. Cada agricultor pode trazer três cabeças de gado, não mais do que isso. E tem alguma importância para se mostrar que ainda há pessoas de Sátão que, mesmo com todas as dificuldades, continuam a trabalhar na agricultura e ainda se dedicam à criação de algum gado bovino.

E que impacto têm as Festas de São Bernardo no comércio e economia local?

Nós somos um concelho de emigração. Um concelho que, neste momento, tem 11.260 pessoas e, nesta altura, chegará às 15 ou às 16 mil. Nestes dias, sobretudo, vê-se muita gente.

No primeiro dia, abrimos em frente à câmara, com um espetáculo feito pela Escola Municipal de Teatro, pela Escola Municipal de Dança, sobretudo hip-hop, e também por um conjunto musical que é daqui. E veio muita gente e, portanto, as pessoas fazem negócio. Tivemos o Festival das Sopas, que também atrai sempre largas centenas, além da prova de de perícia automóvel.

E, portanto, tudo isto vai dinamizar a economia local, sobretudo na parte da restauração, na parte dos cafés e dos quiosques. Tem uma importância fundamental. Julgo que, nestes dias, a economia terá uma alavanca positiva pela quantidade de pessoas que chegam à vila de Sátão.

“Estamos sempre de braços abertos para receber as pessoas durante todo o ano, mas, sobretudo, nas festas que têm mais cor e alegria”

Faz agora um ano que o concelho foi atingido por um grande incêndio. Como está a recuperação do território?

O que era baldio e que pertencia à Junta de Freguesia de Ferreira de Aves e ao ICNF, já fizemos alguma recuperação, sobretudo em caminhos com algum dinheiro que veio da Administração Central.

Na altura também criámos alguns aceiros e, na parte do rio Vouga, para não ter tanta cinza, colocámos uma rede para isso não passar e melhorou. O que ardeu, entre casas e alguns armazéns, julgo que a maior parte já foi tudo pago, sem qualquer tipo de problema.

Portanto, a recuperação vai-se fazendo lentamente. Quanto às pessoas que tiveram propriedades privadas afetadas, é a parte mais difícil. Na freguesia de Águas Boas também arderam alguns armazéns agrícolas, que já foram recuperados e houve apoio para isso. E nós, em Águas Boas, com apoio da Proteção Civil e das escolas, fizemos lá uma plantação bastante grande.

Ainda há pessoas que tiveram algum prejuízo, sobretudo quando arderam casas e os armazéns agrícolas, que foi mais complicado. Para máquinas agrícolas também houve situações em que as pessoas receberam subsídios. Viveu-se um tempo bastante complicado, mas esperamos que não haja mais problemas. E vamos recuperando, pouco a pouco.

Quais são, neste momento, os maiores desafios do concelho?

Eu diria que o primeiro desafio que, neste momento, me preocupa mais será o problema do abastecimento de água. Nós aderimos às Águas do Douro e Paiva e esperamos que essas águas venham. Não tenho nenhuma aldeia que seja abastecida pelo concelho sem água.

Mas vivemos sempre aqui um sufoco entre setembro e outubro. É sempre muito complicado. E, portanto, esse é o grande desafio que nós teremos de enfrentar. Por isso é que eu gostaria muito que as Águas do Douro e Paiva viessem, ainda que poderão custar mais alguns cêntimos, mas hoje o que temos de ter é quantidade, qualidade e garantia de água.

 

Feira Do Gado
"A Feira do Gado tem alguma importância para se mostrar que ainda há pessoas de Sátão que, mesmo com todas as dificuldades, continuam a trabalhar na agricultura e ainda se dedicam à criação de algum gado bovino"

Há outros projetos que queira ver avançar?

Nós vamos avançar com uma situação de um terreno que comprámos, que, no fundo, vai dar lugar a uma miniestação de camionagem. É um terreno que já anteriormente serviu para isso. Era mesmo onde havia umas bombas de gasolina e onde paravam anteriormente os autocarros. A câmara comprou-o e, neste momento, está a elaborar o projeto para esse fim.

Temos um outro terreno que será para um parque ambiental. O projeto já está a andar, são 35 mil metros e será um espaço onde as pessoas possam estar. No fundo, aquilo que eu gostaria de ver resolvido seriam estas situações: primeiro, a água, que é aquilo que me preocupa mais, depois a estação de camionagem e o parque ambiental.

Há ainda o projeto para o Pavilhão Multiusos.

Sim. Temos um projeto muito grande, que é extremamente importante. É um terreno de 68 proprietários. Todos já acordámos, dividimos e vamos fazer um loteamento muito grande. A câmara vai fazer o loteamento e eles vão dar-nos 35 lotes e 35 mil metros de terreno. O que eu queria fazer neste terreno seria um multiusos bastante grande.

Não temos nenhum equipamento desse género e seria importante para o concelho. Além disso, vamos arrancar ainda este ano com o aumento da zona industrial, em cima, onde está a Cerutil. A Cerutil é a maior empresa do concelho e empregará neste momento 230 ou 240 funcionários. Temos necessidade e eles pediram-nos, querem aumentar a fábrica para criarem mais 30 postos de trabalho. O projeto está pronto e, provavelmente irá para concurso até ao fim de setembro.

Que mensagem deixa para este Dia do Município?

Neste dia, a minha mensagem é a seguinte: venham visitar o concelho de Sátão. Venham conhecer a nossa cultura. As festas do concelho não são só festivais, nem são só artistas. São também um pouco da nossa cultura, das nossas tradições.

Nós estaremos sempre de braços abertos para receber as pessoas durante todo o ano, mas, sobretudo, nestas festas que têm mais cor e mais alegria, sobretudo nas ruas. Temos uma grande quantidade de emigrantes que ainda está aqui, quer nas aldeias, quer na vila, mas sobretudo nas aldeias.

E, por isso, vive-se uma vida completamente diferente, com mais vida. Portanto, a minha mensagem é esta: venham visitar o concelho.

Nininho Vaz Maia encerra Festas de São Bernardo

As Festas de São Bernardo entram nos dois últimos dias com um programa marcado pela música, pelas tradições e pelas celebrações do Dia do Município. Hoje, o palco principal recebe a banda musical Sigma, seguindo-se a atuação de Sara Correia, uma das vozes de destaque do fado contemporâneo.

As festividades terminam amanhã, dia de feriado municipal de Sátão. O programa começa às 7h00, com a tradicional Feira Anual, seguindo-se, às 10h00, a Feira do Gado. Às 11h00 terá lugar a eucaristia. Durante a tarde, às 15h00, será entregue o Prémio Literário Cónego Albano Martins de Sousa, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Sátão.

Pelas 16h30, está prevista a inauguração da exposição “Sátão em Imagens”, na Casa da Cultura de Sátão. A programação prossegue às 17h00 com a tradicional Garraiada, no recinto da Feira de Sátão, e, às 18h30, com o Festival de Folclore e Música Popular. À noite, a animação fica a cargo da Banda S e de Nininho Vaz Maia.

Agosto 19, 2026 . 11:15

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