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Relatório de operador diz que acidente com autocarro em Agualva-Cacém deveu-se a falha humana

O acidente com um autocarro da Carris Metropolitana em Agualva-Cacém, em julho, em que morreram duas pessoas e 20 ficaram feridas, deveu-se a falha “de natureza humana” da motorista, revelou hoje a Transportes Metropolitanos de Lisboa (TML).

“A análise técnica do operador não identificou qualquer evidência de falha mecânica na viatura, apontando os elementos recolhidos para fatores de natureza humana”, indicou, num comunicado enviado à Lusa, a entidade gestora da Carris Metropolitana.

A conclusão, acrescentou a TML, “resulta da avaliação conjunta da dinâmica do acidente, dos testemunhos recolhidos e das verificações técnicas realizadas” no âmbito da investigação interna realizada pelo operador Viação Alvorada relativamente ao acidente ocorrido no terminal rodoferroviário de Agualva-Cacém, concelho de Sintra, em 07 de julho.

A TML, no sentido de esclarecer os factos e “medidas entretanto adotadas para reforçar a segurança da operação”, adiantou que a viatura “encontrava-se com a inspeção obrigatória em vigor e tinha cumprido o plano de manutenção preventiva e corretiva previsto pelo fabricante e pelo operador”.

“Após o acidente, foram novamente realizados ensaios técnicos ao sistema de travagem, inspeções aos respetivos componentes e diagnóstico eletrónico, não tendo sido detetada qualquer falha ou avaria suscetível de comprometer a segurança da circulação”, assegurou.

A análise, referiu ainda a empresa, “conclui igualmente que a motorista cumpria os requisitos exigidos para o exercício da função, tendo realizado a formação inicial prevista, avaliações médicas e psicotécnicas, bem como formação específica para a condução do modelo de veículo em causa”.

Segundo a TML, independentemente destas conclusões, a Viação Alvorada definiu “um conjunto de medidas adicionais de prevenção, entre as quais o reforço de procedimentos operacionais junto dos motoristas”.

Por seu lado, a TML assegurou que continuará a acompanhar a adoção das medidas pelo operador, “mantendo como prioridade a segurança dos passageiros, dos trabalhadores e de todos os utilizadores da rede”.

Em 07 de julho, no terminal rodoferroviário de Agualva-Cacém, na União de Freguesias de Agualva e Mira-Sintra, um autocarro da Carris Metropolitana despistou-se e colheu mortalmente duas mulheres que estavam na paragem e provocou ainda 20 feridos, segundo a Polícia de Segurança Pública (PSP) e o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM).

Vários relatos na sequência do acidente referiram que a motorista pisou acidentalmente o acelerador do autocarro ou que trocou os pedais, mas fonte oficial da TML disse que a investigação interna do operador não confirmou algumas informações dos meios de comunicação social.

“A investigação apurou que a bandeira [com destino] do veículo necessitava de ser alterada e que a motorista procedeu à respetiva alteração. Foi ainda confirmado que, no momento em que o autocarro iniciou o movimento, a bandeira já se encontrava devidamente alterada e a motorista encontrava-se sentada no seu lugar”, afirmou.

A TML, anteriormente, referiu que a sua prioridade, desde o primeiro momento, tem sido o “acompanhamento das vítimas e dos seus familiares”, lembrando que “tem sido assegurado o apoio necessário às pessoas diretamente afetadas” pela tragédia, em articulação com a Viação Alvorada, a Câmara de Sintra e a Proteção Civil.

O presidente da Câmara de Sintra, Marco Almeida (PSD), em reunião do executivo, lamentou a “perda de duas vidas e pelo conjunto de feridos no acidente do interface de Agualva-Cacém”.

A autarquia, explicou, “através dos serviços sociais, acompanhou desde a primeira hora as famílias”, mas “também junto da condutora”, que “não deve ser esquecida”, pois “também foi um ato traumático, que lhe deixa marcas”.

Fonte da Procuradoria-Geral da República (PGR) confirmou que “o inquérito corre termos no DIAP [Departamento de Investigação e Ação Penal] de Sintra” e, na investigação, “o Ministério Público é coadjuvado pela PSP - Brigada de Investigação de Acidentes de Divisão de Trânsito Lisboa”.

A PSP disse à Lusa que o processo referente ao acidente “foi remetido à secretaria do Ministério Público de Sintra-Central”.

Agosto 12, 2026 . 16:45

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