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Bombeiros pedem a PR para ajudar a “acelerar discussão” sobre reforma do setor

Presidente da Liga aludia à atualização do estatuto social do bombeiro e dos dirigentes associativos, mas também ao estatuto dos bombeiros profissionais nas associações humanitárias

O presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) pediu hoje, na Guarda, ao Presidente da República para usar a sua “magistratura de influência” para “acelerar a discussão pública” sobre a reforma estrutural do setor.

“É um apelo que é de união de todos a favor da causa dos bombeiros. Nós precisamos de sentir que o Estado passa, além das promessas e das intenções, a uma reforma estrutural, a uma compreensão do novo fenómeno dos bombeiros portugueses”, afirmou António Nunes.

O dirigente falava na sessão solene dos 150 anos da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários Egitanienses, fundada a 05 de agosto de 1876.

António Nunes aludia à atualização do estatuto social do bombeiro e dos dirigentes associativos, mas também ao estatuto dos bombeiros profissionais nas associações humanitárias e à implementação de novas metodologias de combate aos incêndios florestais.

“No fundo, precisamos do reconhecimento público dado todos os dias pelos nossos cidadãos”.

O dirigente lembrou que, desde 1980, morreram mais de 256 bombeiros.

Só desde o início do ano, morreu um bombeiro e mais de 250 ficaram feridos, acrescentou.

Já o presidente da direção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários Egitanienses, Fábio Pinto, pediu ao Governo para prosseguir “um caminho que conduza à valorização efetiva do voluntariado, à definição de uma carreira clara e digna para os bombeiros e ao reconhecimento de que se exigem respostas diferentes para realidades diferentes”.

“Um país que confia diariamente nos seus bombeiros tem também o dever de lhes garantir as condições necessárias para continuarem a cumprir a sua missão. Os bombeiros nunca faltaram a Portugal”, sublinhou.

Já Sérgio Costa, presidente da Câmara da Guarda, defendeu “um pacto de regime” para a proteção civil.

“O estado atual do sistema de combate aos fogos rurais teima em ter um funcionamento por vezes débil e também descoordenado”, criticou.

Para o autarca da coligação ‘Pela Guarda/ Nós Cidadão’, é necessário rever a lei do financiamento das associações humanitárias e dos municípios nas competências da proteção civil.

“Também é preciso dar à prevenção o lugar e o dinheiro que ela nunca teve e reforçar o sistema atual para não perdermos mais vidas”.

Sérgio Costa considerou também que “Portugal está ainda a aprender a combater e ainda não aprendeu a prevenir”: “Damos, e bem, meios a quem apaga, mas damos muito pouco a quem impede que arda”, disse.

O autarca aproveitou a oportunidade para recordar que as verbas para a revitalização do Parque Natural da Serra da Estrela “teimam, ano após ano, em chegar atrasadas”.

Sérgio Costa também lembrou Carlos Dâmaso, presidente da Junta de Vila Franca do Deão, no concelho da Guarda, falecido a 15 de agosto de 2025 no combate a um incêndio.

“Não era bombeiro. Era um homem que não esperou, como Gerardo Batoréu [um dos fundadores da Associação Humanitária dos Bombeiros Egitanienses] não esperou em 1876. Enquanto existir esta cidade, existirá memória para o seu exemplo. A Guarda não se esquece”, garantiu.

A Câmara Municipal da Guarda atribuiu recentemente à Associação Humanitária a Medalha de Honra, grau ouro, do município.

Agosto 9, 2026 . 20:00

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