
Morreu Joaquim Sarmento: O escritor e ex-deputado que queria "um espaço maior para a cultura"
"Sempre fiz da cultura um importante patamar da vida pública", disse Joaquim Sarmento em entrevista à agência Lusa, em 2010, quando foi o primeiro distinguido com o Prémio de Mérito Cultural da Câmara de Lamego, depois de já ter recebido a Medalha de Ouro da Cidade.
Autor de "A memória e o tempo" e "O crime de Cerejeiro", Joaquim Sarmento nasceu numa freguesia de Lamego, no início do ano de 1952, cidade onde viveu, exerceu advocacia e assumiu cargos autárquicos, em democracia.
Joaquim Sarmento fez carreira política nas fileiras do PS, tendo sido eleito deputado à Assembleia da República, pelo distrito de Viseu, em dois mandatos, que cumpriu de 1995 a 2002, na VII e VIII Legislaturas.
Em termos autárquicos, foi presidente da Assembleia Municipal de Lamego, de janeiro de 1998 a dezembro de 2001, desempenhou as funções de vice-presidente da câmara desta cidade, entre 1993 e 1997, e as de vereador da Cultura, de 2001 a 2005.
“Fragmentos" (1999), com prefácio de Rui Vieira Nery, foi o seu primeiro livro publicado, reunindo artigos dispersos pela imprensa nacional e regional, em colaborações que incluíram jornais como o Público e a revista Finisterra.
Seguiram-se "Fragmentos e paixões" (2006), com prefácio de Manuel Alegre, e "Retalhos de silêncio - Diário de um deputado" (2002), com prefácio do antigo presidente da Assembleia da República António de Almeida Santos.
Este livro "provocou alguma polémica pela forma frontal" como reportou o quotidiano parlamentar, disse o escritor à Lusa, em 2010.
Em parceria com Fernando Marado, escreveu "Amália - uma paixão", contando ainda a sua bibliografia com duas peças de teatro: “As folhas do Limoeiro", levada à cena no Teatro Ribeiro da Conceição, em Lamego, na temporada de 2010, e “A memória e o tempo”.
Joaquim Sarmento publicou ainda os romances “O crime do Cerejeiro”, “A revolução de António e Oriana” e “O deus da ausência”.
Entre as suas "principais referências literárias", Joaquim Sarmento indicou à Lusa os escritores Marcel Proust e Vergílio Ferreira.
Joaquim Sebastião Sarmento da Fonseca Almeida era licenciado pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e efetuou uma pós-graduação em Estudos Europeus, na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra.
Em 1999, aos 47 anos, foi diagnosticado com a doença de Parkinson.
“Ele viveu intensamente o quanto pôde”, disse à Lusa a sua filha, a cantora Helena Sarmento, que acrescentou: “Todos os seus livros foram escritos ‘sob o signo da doença’, como ele mesmo costumava dizer. Continuou a fazer as programações culturais que sempre fez, a devorar livros como mais ninguém que eu conheça, a viajar sempre que podia, a ser meu ‘manager’ quando eu decidi ser cantora. Ia ver todos os meus concertos, os últimos já de cadeira de rodas. Em 2013, deixou de andar e, em 2016, ficou internado”, recordou Helena Sarmento, que cantou poemas do pai, nomeadamente "Lonjura" ("A lonjura é uma desgraça, não há dor que tanto doa"), no seu álbum de 2018.
As cerimónias fúnebres de Joaquim Sarmento realizam-se no domingo, em Lamego, na Igreja de Nossa Senhora da Graça, com missa às 11:00, seguida de funeral para o Cemitério da Cruz Alta, na cidade.









