
França vai julgar 34 homens por mensagens contra mulheres no Telegram
O canal, denominado "Femmeblancherie", chegou a reunir 1.758 utilizadores e era utilizado para partilhar imagens e vídeos de mulheres, acompanhados de comentários depreciativos, insultos e mensagens contra o sexo feminino.
Uma investigação dirigida pelo Ministério Público de Paris permitiu identificar vários membros do grupo, incluindo o seu administrador.
Entre 03 e 16 de junho, 45 homens foram detidos por suspeitas de crimes de "provocação pública ao ódio ou à violência com base no sexo", "provocação à discriminação" e "insultos públicos", segundo o Le Figaro.
Estes crimes podem ser punidos em França com penas até um ano de prisão e multas que podem atingir 45 mil euros.
Dos detidos, 34 deverão começar a ser julgados em tribunal criminal a partir de novembro, tendo alguns ficado sujeitos a controlo judicial, incluindo a proibição de utilizar o Telegram ou de contactar outras pessoas envolvidas na investigação.
Outros dez homens foram alvo de medidas alternativas, incluindo multas ou a frequência de ações de sensibilização contra o ódio na Internet.
Segundo o jornal francês, os suspeitos apresentam perfis sociais e profissionais diversificados, incluindo um enfermeiro, um guarda prisional e um condutor de metro, residem em diferentes regiões de França e, na maioria dos casos, não mantinham relações entre si fora da plataforma.
A maioria admitiu ter publicado as mensagens investigadas, mas vários suspeitos justificaram-nas como "humor negro" ou "humor de mau gosto", enquanto outros alegaram ter escrito sob o efeito de álcool ou em momentos de raiva.
A análise dos telemóveis apreendidos revelou também, segundo o Le Figaro, interesse de vários dos suspeitos por páginas de extrema-direita e por conteúdos associados a figuras anteriormente condenadas por incitamento ao ódio.
A investigação marcou igualmente uma mudança na cooperação entre o Telegram e as autoridades francesas, tendo a plataforma fornecido dados sobre utilizadores do canal a pedido do Ministério Público.
O Le Figaro relaciona essa maior colaboração com os processos judiciais instaurados em França contra o fundador da plataforma, Pavel Durov, detido e constituído arguido em 2024.
O canal "Femmeblancherie" foi eliminado após as detenções, mas uma nova versão surgiu posteriormente no Telegram, apresentando-se como um espaço humorístico e satírico.
A operação integra uma estratégia mais ampla das autoridades francesas de acompanhamento dos denominados movimentos 'masculinistas' na Internet.
Em dezembro de 2025, o Ministério Público de Paris encarregou o Gabinete Central de Combate aos Crimes contra a Humanidade e aos Crimes de Ódio (OCLCH), unidade especializada da Gendarmaria, de acompanhar espaços digitais onde este tipo de discurso é difundido.
O Senado francês já tinha alertado para a expansão de correntes 'masculinistas', que associou a discursos que defendem a superioridade masculina e responsabilizam as mulheres pela alegada deterioração da condição dos homens.









