A importância da literacia em saúde
Este conceito refere-se à capacidade das pessoas para obter, compreender, avaliar e utilizar informação relacionada com a saúde, de modo a tomarem decisões informadas no seu dia a dia. Numa sociedade em que a informação é abundante, mas nem sempre rigorosa, possuir um nível adequado de literacia em saúde tornou-se uma competência indispensável.
Os cidadãos com maior literacia em saúde compreendem melhor as recomendações dos profissionais de saúde, aderem de forma mais consistente aos tratamentos prescritos, participam ativamente na prevenção das doenças e utilizam os serviços de saúde de forma mais adequada.
Em contrapartida, baixos níveis de literacia em saúde associam-se a menor adesão terapêutica, maior recurso aos serviços de urgência, pior controlo das doenças crónicas, mais hospitalizações e maior mortalidade.
A crescente complexidade dos cuidados de saúde exige que os cidadãos sejam parceiros ativos dos profissionais de saúde. A gestão de doenças como a diabetes, a hipertensão arterial ou a insuficiência cardíaca, entre outras, depende, em grande medida, da capacidade do doente para interpretar resultados, reconhecer sinais de alarme, cumprir a medicação e adotar estilos de vida saudáveis.
A literacia em saúde fortalece a autonomia do doente, sem substituir o papel do médico ou de outro profissional de saúde, promovendo uma relação baseada na confiança e na decisão partilhada.
Por outro lado, a proliferação de informação falsa ou pouco rigorosa, sobretudo através das redes sociais, representa um desafio crescente.
A capacidade de distinguir fontes credíveis de conteúdos enganosos é hoje uma componente essencial da literacia em saúde, protegendo os cidadãos de decisões potencialmente prejudiciais.
A literacia em saúde desempenha igualmente um papel decisivo na prevenção das doenças. Um cidadão que compreende os fatores de risco e os benefícios da prevenção adota mais facilmente estilos de vida saudáveis, como uma alimentação equilibrada, a prática regular de exercício físico, a cessação tabágica e o consumo não excessivo de álcool. Além disso, participa com maior adesão nos programas de vacinação e de rastreio, reconhece precocemente sinais de alerta e procura assistência médica em tempo útil.
Esta capacidade de antecipar e prevenir a doença traduz-se em menor incidência de patologias crónicas, melhor qualidade de vida e aumento da esperança de vida saudável.
Promover a literacia em saúde é uma responsabilidade coletiva. Cabe aos profissionais de saúde comunicar de forma clara, às escolas desenvolver competências desde cedo, às instituições públicas disponibilizar informação acessível e aos meios de comunicação divulgar conteúdos cientificamente validados. Simultaneamente, é fundamental adaptar a comunicação às características culturais, sociais e educativas da população.
Num país envelhecido como Portugal, reforçar a literacia em saúde é, por isso, uma das estratégias mais eficazes e custo-efetivas para reduzir a carga da doença, promover um envelhecimento ativo e contribuir para a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde.






