
Problemas na digitalização dos exames nacionais preocupam sindicatos
Os sindicatos de professores manifestaram preocupação com os problemas verificados na classificação digital dos exames nacionais do ensino secundário, assegurando que estarão atentos à segunda fase e continuarão disponíveis para as etapas seguintes.
Estas posições foram expressas no final das reuniões negociais com o Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI), em que o tema dos exames nacionais, não incluído na ordem de trabalhos, foi abordado pela tutela.
O secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof) destacou "o caos dos exames" e sublinhou que "podia ter sido muito pior se não fosse a dedicação dos milhares de professores envolvidos neste processo".
Este ano, cerca de 300 mil exames nacionais foram avaliados em formato digital pela primeira vez, mas surgiram várias falhas técnicas.
O ministro da Educação reconheceu os problemas na classificação e garantiu que nenhum aluno será prejudicado, contudo, cinco dias após a publicação dos resultados, continuam a ser identificados erros nas classificações e na digitalização das provas.
O secretário-geral da Fenprof, José Feliciano Costa, afirmou que "nenhum aluno pode ter garantias na nota que saiu" e associou o baixo número de candidaturas ao ensino superior no primeiro dia do prazo (304, face a 10 mil em 2025) a esta desconfiança.
Desde terça-feira decorre a segunda fase dos exames nacionais, com avaliação pelo mesmo modelo digital, e apesar das garantias do MECI de que os problemas foram resolvidos, os sindicatos mantêm-se apreensivos.
A presidente do Sindicato Independente de Professores e Educadores (SIPE), Júlia Azevedo, expressou a esperança de que a "experiência acumulada" na primeira fase permita prevenir novas falhas.
Júlia Azevedo afirmou que "compete à equipa do Ministério da Educação aprimorar o processo para não repetir os erros", referindo que "os diretores e professores classificadores estão disponíveis para resolver esta questão".
Questionada sobre a disponibilidade de docentes para assegurar as classificações da segunda fase, que termina na sexta-feira, e os pedidos de reapreciação, a presidente do SIPE confirmou que os professores continuarão disponíveis.
Esta garantia foi reforçada pelo secretário-geral da Federação Nacional da Educação (FNE), Pedro Barreiros, que lamentou que "as escolas, ao longo de décadas, sejam chamadas a resolver problemas que não são criados nem pelos professores nem pelos alunos".
Apesar dos atrasos na divulgação das notas, o Ministério manteve os calendários da primeira fase do concurso de acesso ao ensino superior, que termina a 6 de agosto, e os da segunda fase dos exames.
Foi entretanto criada uma época especial de exames, entre 3 e 8 de setembro, aberta a todos os alunos elegíveis para as provas da segunda fase, independentemente de as terem realizado.
Antecipando as próximas etapas, José Feliciano Costa acrescentou que a Fenprof estará "muito atenta" à defesa dos direitos dos trabalhadores, nomeadamente ao direito a férias e ao pagamento do trabalho suplementar.
Quanto ao regresso às aulas, a partir de 11 de setembro, o secretário-geral da Fenprof confirmou que "a serenidade e a tranquilidade com que deve abrir sempre um ano letivo estão claramente comprometidas".
Por seu lado, o Sindicato de Todos os Profissionais da Educação (Stop), através de Daniel Martins, defendeu que o ministro da Educação deve assumir responsabilidades, argumentando que Fernando Alexandre "agiu politicamente e o resultado foi o falhanço total".









