A Guarda Nacional Republicana (GNR) registou 122 detenções relacionadas com incêndios florestais até 28 de junho, num total de 2.869 crimes de incêndio florestal, enquanto as associações de proprietários apelam a tolerância antes das autuações, com o prazo para limpeza de terrenos a terminar na terça-feira.
Até domingo, verificaram-se 4.091 ocorrências de incêndios florestais, superando as 2.921 registadas até 30 de maio, e ultrapassando largamente as 795 ocorrências no mesmo período de 2025.
Fonte da GNR referiu que a área ardida atingiu cerca de 14.018 hectares, face a 10.501,1 hectares até 30 de maio e 3.673,4 hectares no ano anterior.
A GNR identificou 781 suspeitos, quase o dobro dos 384 registados em 2025, e registou 263 contraordenações relacionadas com queimas, queimadas e utilização de maquinaria, número inferior ao período homólogo do ano passado, possivelmente devido ao alargamento do prazo para limpeza de terrenos.
No âmbito da prevenção, a GNR sinalizou 8.548 terrenos para limpeza, menos que os 10.417 do ano anterior, mas teve um reforço de atividade devido à tempestade Kristin, registando cerca de 3.300 sinalizações adicionais, elevando para pelo menos 11.848 os terrenos por limpar.
Luís Damas, presidente da Federação Nacional de Associações de Proprietários Florestais (FNAPF), considerou que o prazo para limpeza é "sempre curto" devido a precipitação e falta de mão-de-obra, mas garantiu que "as pessoas estão a limpar e, por causa das autuações da GNR, vão cumprir".
O responsável alertou que, nas áreas não limpas, a responsabilidade cabe às autarquias, muitas das quais não têm capacidade para o fazer. Referiu ainda que as tempestades retiraram recursos e deslocaram empresas e meios para outras zonas, atrasando trabalhos de limpeza que ainda vão decorrer.
Luís Damas pediu que a GNR não multe imediatamente a partir de 1 de julho quem ainda está a proceder à limpeza, defendendo "tolerância e pedagogia", sublinhando que nas associadas da FNAPF há muito trabalho já contratado e equipas com tarefas em carteira.
Adicionalmente, apontou a limitação de trabalhos até às 11:00 devido ao risco de incêndio, embora seja possível prolongar este período mediante condições de segurança.
O Governo prolongou o prazo para os trabalhos de gestão de combustível na rede secundária até 30 de junho para todo o território, após inicialmente ter sido aplicado apenas em concelhos com declaração de calamidade devido às tempestades de janeiro e fevereiro.
Uma fonte da GNR afirmou que "o nosso objetivo não é a multa em si", destacando a importância de os proprietários garantirem a limpeza com a utilização de maquinaria, especialmente com o aumento das temperaturas previsto.
Uma operação conjunta da Polícia Judiciária (PJ) e da Guarda Civil espanhola desmantelou uma rede dedicada ao tráfico de pessoas, que resultou na detenção de cinco suspeitos e no resgate de dois homens mantidos em cativeiro durante décadas em Espanha.
Denominada "Mãos Livres", a operação decorreu em duas fases na zona de Burgos, no norte de Espanha, e envolveu as polícias da Diretoria do Centro e da Guarda Civil de Castela e Leão.
A PJ explicou que o grupo, de cariz familiar, recrutava em Portugal pessoas em situação de fragilidade económica e exclusão social para as explorar em território espanhol.
Os suspeitos intermediavam junto de empregadores o fornecimento de mão de obra para trabalhos agrícolas pouco qualificados, mantendo as vítimas sob controlo e obrigando-as a viver em condições deploráveis de habitabilidade e alimentação, sob constante coação.
Além disso, apropriavam-se da quase totalidade dos rendimentos que os empresários entregavam para pagamento dos salários.
As vítimas eram inscritas nos Serviços da Segurança Social espanhola para que os exploradores elaborassem contratos de trabalho, obtendo assim salários e benefícios sociais.
Para dificultar a atuação das autoridades, abriam contas bancárias e registavam viaturas em nome das vítimas.
Na primeira fase da operação, em março de 2025, foram resgatadas duas vítimas que estavam sob domínio dos suspeitos há 30 e 15 anos, respetivamente.
A PJ indicou que a vítima mais velha foi transacionada entre elementos do grupo como se fosse uma mercadoria.
A operação culminou com três detenções em Espanha, com idades entre os 32 e os 35 anos, e duas em Portugal, com 54 e 56 anos.
Entre os detidos em Portugal, um possui antecedentes criminais por crimes semelhantes.
Os detidos em Portugal serão apresentados a tribunal para determinação das medidas de coação, enquanto os detidos em Espanha foram apresentados à Audiência Nacional, em Madrid, para extradição para Portugal.
Durante as diligências em Espanha, acompanhadas pela PJ, foram recolhidos elementos de prova adicionais, incluindo documentação variada, saldos bancários e a apreensão de dois imóveis.






