
Jovens repudiam declarações de presidente do IHRU sobre sacrifícios
“O Conselho Nacional de Juventude (CNJ) considera inaceitáveis e preocupantes as declarações do presidente do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU), segundo as quais não sabe "se a sociedade atual está disponível para o nível de sacrifício que os nossos pais e os nossos avós fizeram para ter uma casa", afirmou a estrutura juvenil em comunicado.
Para o CNJ, estas palavras estão “desfasadas da realidade” vivida pelos jovens e transferem para uma geração a responsabilidade de uma crise habitacional que é estrutural.
“Os jovens portugueses já fazem sacrifícios todos os dias. Saem de casa dos pais perto dos 30 anos, mesmo quando trabalham. Adiam projetos de vida e de família por falta de casa”, sustentam.
O CNJ sublinhou que cerca de um em cada três jovens nascidos em Portugal vive hoje no estrangeiro, “muitos por necessidade e não por escolha”.
"Não aceitamos que se ponha em causa o esforço de uma geração que estuda, trabalha e, ainda assim, não consegue ter uma casa. Os jovens não precisam de lições sobre sacrifício. Precisam de políticas de habitação que funcionem e de responsáveis públicos que conheçam a realidade que têm a obrigação de mudar", declarou o presidente do CNJ, Francisco Garcia, citado no documento
O CNJ lamentou que esta leitura venha precisamente do responsável pelo organismo público que tem por missão garantir o acesso à habitação.
“Quem dirige a política pública de habitação deve apresentar soluções, não pôr em causa o esforço de quem não consegue aceder a uma casa”, sustentou.
O CNJ defende o aumento da oferta de habitação, com o reforço do parque habitacional público como prioridade, uma discussão sobre a lei das rendas que estimule a colocação de casas no mercado sem penalizar os inquilinos e a manutenção dos limites atuais às rendas antecipadas e à caução.
O presidente do instituto responsável pela habitação, Benjamim Pereira, admitiu hoje que expressões que utilizou sobre a capacidade de sacrifício dos jovens foram infelizes, afirmando que não teve intenção de desvalorizar as dificuldades ou sugerir a emigração.







