
Incêndios: Projeto que usa drones no combate inicial testado na serra do Marão
O projeto aposta na inteligência artificial e é promovido por um consórcio de oito entidades, liderado pela Drivetel, empresa do Greengray Group.
Em comunicado, o Greengray Group explicou que a área piloto do Fire Resist abrange cerca de 6.000 hectares de baldios na serra do Marão, território onde vão ser aplicadas as soluções desenvolvidas que visam reforçar a prevenção de incêndios e promover uma gestão mais sustentável da floresta.
O projeto prevê a utilização de drones com capacidade para transportar até 50 quilos de líquido retardante por equipamento e desenvolver novas práticas integradas de gestão da carga combustível, com potencial para gerar valor acrescentado a partir dos recursos florestais.
Segundo o que é explicado no comunicado, o objetivo é identificar potenciais incêndios, transmitir alertas e apoiar uma intervenção numa fase inicial, através de quatro etapas.
A primeira é a deteção, através de torres de vigilância florestal e sensores inteligentes que recolhem informação para identificar sinais que possam indicar o início de um incêndio, dados que são depois analisados por algoritmos de inteligência artificial para ajudar a distinguir potenciais focos de outros fenómenos, como nevoeiro ou névoa.
Se forem identificados incêndios proceder-se-á à emissão de alertas às entidades competentes, incluindo a Proteção Civil e os bombeiros, e poderá ser ativado um enxame de drones autónomos, orientados por GPS para transportar e aplicar líquido retardante na área identificada.
O liquido retardante transportado nos drones visa apoiar a intervenção numa fase inicial do incêndio.
“A utilização coordenada destes equipamentos pretende aproximar a identificação de um potencial foco de incêndio da mobilização de meios de apoio, complementando as restantes medidas de prevenção e gestão florestal previstas no projeto”, referem ainda os promotores.
Entre as soluções previstas estão modelos preditivos e gémeos digitais da floresta - representações digitais que permitem acompanhar e analisar o território -, bem como a monitorização da saúde da vegetação através de sensores multiespectrais e tecnologia LiDAR.
O projeto inclui ainda a gestão de combustíveis florestais com recurso a rebanhos e pastagens, de charcas para reter água, a valorização energética de resíduos de biomassa florestal e a certificação digital de carbono.
Depois, segundo os promotores, a informação recolhida nestas diferentes áreas será integrada numa plataforma digital de apoio à gestão florestal, permitindo cruzar dados e fundamentar decisões mais informadas.
O Fire Resist - Inovação florestal para territórios resilientes, ecológicos e inteligentes representa um investimento de 9,8 milhões de euros e articula investigação científica, desenvolvimento tecnológico e capacidade industrial para desenvolver soluções integradas de prevenção, gestão ativa e valorização do território.
Para além da Drivetel, o projeto junta ainda a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), o laboratório colaborativo CoLAB ForestWISE, o centro de investigação Fraunhofer Portugal AWAM e as empresas IMMERA, Fisola, Electroclima e Turnpage.
O projeto vai ser apresentado na terça-feira, em Lisboa, numa sessão que contará com a presença do ministro da Agricultura e Mar e inclui a assinatura de protocolos de colaboração entre entidades públicas e privadas.







