
Movimento pela Habitação denuncia intervenção policial violenta no Porto
O Movimento pela Habitação, que está em protesto no Porto desde sábado, denunciou que durante a madrugada de hoje houve uma intervenção policial que causou ferimentos em 37 dos participantes, dois dos quais ficaram em estado grave.
“Na madrugada desta quinta-feira, às 02:56, as forças policiais intervieram na acampada pela habitação na Praça D. João I, no Porto, numa operação destinada a pôr termo ao protesto”, refere o movimento em comunicado.
De acordo com o movimento, entre os feridos está uma pessoa com deficiência e vários participantes na concentração foram hospitalizados.
A agência Lusa está a tentar contactar a PSP, mas até agora sem sucesso.
Os participantes voltaram a instalar tendas durante a noite, que foram retiradas pela polícia, depois de o presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, ter dito na quarta-feira que será “absolutamente implacável com qualquer tentativa de colocação de tendas” na Praça D. João I”.
Na nota de hoje, o Movimento “denuncia veementemente o uso de força extrema, desproporcional e injustificada durante a intervenção policial na acampada, que se manteve, desde o primeiro momento, pacífica, sem nunca incitar à violência”.
O Movimento considerou que a “violência exercida” é “inaceitável” e exige “o apuramento rigoroso e independente dos acontecimentos, a preservação das imagens e de outros elementos de prova, o esclarecimento público das circunstâncias da operação e a responsabilização por eventuais condutas ilegais”.
Na quarta-feira, em declarações após a manifestação, seguida de assembleia popular, que reuniu mais de 500 pessoas naquela praça da baixa portuense, Pedro Manuel, do Movimento, revelou que a vontade das pessoas, ditada por braço no ar, "foi que continuassem o protesto [contra a crise na habitação] na praça e, novamente, a dormir em tendas".
Sobre a legitimidade para continuarem o protesto na praça, Pedro Manuel assumiu terem "autorização para manifestação até dia 20", argumentando, sobre a questão das tendas "terem o mesmo tipo de autorização que tinha a polícia da câmara quando veio cá retirar as tendas, que é nenhuma, porque não apresentaram ordem de dispersão formal e mantém as tendas apreendidas num processo totalmente feito à margem da formalidade e da burocracia legal".
Outra expectativa do grupo de jovens é a de "continuarem a crescer e não só no Porto", afirmando que estão a apelar para que o mesmo possa "acontecer em outras cidades, como já está convocado em Lisboa para sábado". a crise na habitação] na praça e, novamente, a dormir em tendas".
Na manhã de segunda-feira, a Polícia Municipal retirou as cerca de 50 tendas que estavam armadas naquela praça.
Na segunda-feira, a Câmara garantiu que o acampamento em protesto contra os preços da habitação estava a ocupar indevidamente o espaço público, razão pela qual foi retirado pelas autoridades.
Em comunicado, a autarquia indicou que "a ocupação da Praça D. João I através da instalação de um acampamento foi avaliada pelas entidades competentes e forças de segurança, a quem cabe atuar em conformidade com a lei, não permitindo a ocupação ilegal e degradação do espaço público".







