
Cerca de 300 pessoas protestam em Lisboa contra visita de Rubio a Portugal
Cerca de 300 pessoas reuniram-se hoje em Lisboa para protestar contra a visita do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, a Portugal, marcada para quinta-feira.
A manifestação sob o mote "Não à presença de Marco Rubio em Portugal", que começou às 18:00 no Largo de São Domingos, em Lisboa, foi dinamizada pelo Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC).
A ação de protesto também incidiu em outros apelos como o "Fim à guerra", o "Fim ao genocídio do povo palestiniano" e o "Fim à agressão a Cuba".
A presidente do Conselho Português para a Paz Cooperação, Isabel Camarinha, defendeu que a visita de Rubio será para garantir que Portugal “continua ajoelhado perante as imposições que os Estados Unidos (EUA), a NATO e a União Europeia” impõem ao país.
“É isso que nós estamos aqui a combater, estamos aqui a dizer que isso não pode continuar, que precisamos de garantir também a nossa soberania, a nossa independência nacional, cumprindo a nossa Constituição, que o que coloca é que, de facto, deve-se encontrar a resolução pacífica para os conflitos”, continuou Isabel Camarinha.
A dirigente denunciou ainda a intervenção militar dos EUA na Venezuela, que resultou na captura do ex-presidente Nicolás Maduro e as alegadas interferências nas eleições presidenciais brasileiras, cuja primeira volta decorreu no domingo passado.
“Esta é uma ação pública que pretende denunciar o papel que os Estados Unidos da América têm tido nesta escalada brutal da violência, da guerra, do confronto, da não resolução dos problemas através do diálogo e a agressão que é feita a muitos países no mundo”, afirmou Isabel Camarinha, destacando o “genocídio na Palestina” e o “bloqueio brutal agravado este ano em Cuba”.
Para José Manuel Franco, de 80 anos, a visita do secretário de Estado norte-americano cimenta a proximidade do Governo português com a política externa de Washington.
“Acho [que o Governo] está cada vez mais próximo e nós vemos a vassalagem que é prestada”, defendeu.
O octogenário, que se define como “favorável à paz” e “contra todas as guerras”, atribui aos Estados Unidos os eventos que fizeram eclodir as guerras por todo o Médio Oriente.
Pouco depois do início da manifestação, um grupo de cerca de 10 pessoas com bandeiras de Israel e da antiga bandeira do Irão, utilizada antes da Revolução Islâmica de 1979, juntaram-se para colocar flores no Memorial às Vítimas do Massacre Judaico de 1506.
Seguiram-se momentos de alguma tensão entre os diferentes manifestantes, com o pequeno grupo, que tinha papéis com imagens de vítimas do ataque do Hamas de 07 de outubro de 2023, que faz hoje três anos, a entoar “Long live Israel” (“Longa vida a Israel”, em português).
Um grupo de pessoas afeta à manifestação contra a visita de Marco Rubio formou um pequeno cordão humano a separar os diferentes manifestantes, embora uma troca de insultos de parte a parte tenha desencadeado a ação de cerca de 25 agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP) para separar os dois grupos.
A manifestação terminou sem que se tivessem registado incidentes entre os grupos.
Marco Rubio visita quinta-feira Portugal para reunir-se com as autoridades portuguesas e "avançar na cooperação em matéria de defesa, economia e tecnologia", anunciou na semana passada o Departamento de Estado norte-americano.
Em Lisboa, o chefe da diplomacia norte-americana terá encontros com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, e com o seu homólogo, Paulo Rangel, estando prevista uma conferência de imprensa conjunta com o ministro dos Negócios Estrangeiros português.
Antes de chegar a Lisboa, Marco Rubio esteve na Islândia e na Grécia. Na capital grega, Atenas, milhares de pessoas saíram na terça-feira às ruas para contestar a presença do representante norte-americano no país.







