
Julgamento de inspetor da PJ e de Adriano Quintanilha adiado para 16 de outubro
A informação foi avançada hoje à agência Lusa pelo Tribunal de Felgueiras (tribunal singular), distrito do Porto, acrescentando que o arranque do julgamento, agendado para quarta-feira, foi adiado para as 10:00 de 16 de outubro, a pedido da defesa de Quintanilha, patrão da antiga equipa de ciclismo W52-FC Porto.
A Calvário Várzea – equipa que esteve na origem da W52-FC Porto -, Adriano Quintanilha e o inspetor da PJ estão acusados de falsificação de documento. Quintanilha está também acusado de coação, enquanto o inspetor vai responder por favorecimento pessoal.
Em setembro de 2025, o Tribunal de Instrução Criminal de Penafiel pronunciou (decidiu levar a julgamento) os arguidos nos exatos termos da acusação do Ministério Público (MP), após ambos requererem a abertura de instrução.
A acusação do MP, divulgada pela Lusa, sustenta que Adriano Sousa, conhecido como Adriano Quintanilha, e o inspetor da PJ “decidiram criar” um Código de Conduta falso, visando atestar que Quintanilha e a Associação Calvário Várzea, que esteve na origem da W52-FC Porto e da qual era presidente, desconheciam o esquema de doping em investigação no processo Prova Limpa.
O documento foi depois dado aos ciclistas e ao então diretor desportivo da equipa, Nuno Ribeiro, para assinarem, com o objetivo de distanciar Adriano Quintanilha e a Associação “da então indiciada conduta do diretor desportivo da equipa e dos seus ciclistas”.
A investigação surge na sequência das buscas realizadas em abril de 2022, no âmbito da Operação Prova Limpa.
“O arguido Adriano Sousa, alarmado com as consequências penais e disciplinares que aquelas condutas acarretariam para si e para a Associação sua representada, decidiu delinear um plano que visasse eximi-lo, a si e à Associação, de qualquer eventual responsabilidade dos factos em investigação naquele processo”, refere a acusação.
Segundo o MP, o empresário, de 73 anos, contactou então “o seu amigo, que sabia ser inspetor da Polícia Judiciária, a exercer funções na Diretoria do Norte, e que sabia partilhar consigo o mesmo sentimento de apego à equipa W52-FC Porto e ao ciclismo”.
O inspetor da PJ, com 57 anos, “ciente do pretendido pelo arguido, decidiu criar e executar, em conjunto com este, um plano que permitisse alcançar os fins visados” pelo amigo.
Nesse sentido, os dois arguidos “decidiram criar um documento que visasse atestar que Adriano Quintanilha e a Associação “desconheciam as práticas que estavam em investigação” no processo Prova Limpa “e que por isso nenhuma responsabilidade penal, contraordenacional ou disciplinar lhes podia ser assacada”.
Na posse do documento, datado de janeiro de 2022, os dois arguidos, “sempre em comunhão de intenções, decidiram entregá-lo ao diretor desportivo, Nuno Ribeiro, e aos ciclistas da equipa, em particular os que haviam sido visados nas buscas, para que estes o assinassem, bem sabendo que a data aposta no documento não correspondia à data da elaboração e da assinatura do referido documento”.
Segundo o MP, para convencer Nuno Ribeiro e os ciclistas a assinarem o documento, Adriano Quintanilha alegou que “estariam a proteger a equipa de ciclismo, a sua participação enquanto ciclistas da W52-FC Porto e o seu trabalho”.
Um dos ciclistas só terá assinado o documento porque foi ameaçado por Quintanilha de que não receberia o ordenado.
No processo principal da W52-FC Porto, Quintanilha e Nuno Ribeiro tinham sido condenados a penas efetivas de quatro anos e nove meses de prisão pelo esquema de doping. Após recurso, o Tribunal da Relação do Porto ordenou a repetição do julgamento e a reformulação do acórdão, por serem prova ilegal as declarações de Nuno Ribeiro prestadas em julgamento através da leitura de um escrito.







