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Portugal de Lés-a-Lés Off-Road abençoado por chuvada alentejana

Numa jornada longa de 375 quilómetros, entre Almeirim e Portimão, este foi um dos momentos avisado pela organização desde o primeiro momento, ressalvando a importância de uma boa gestão do esforço e do tempo para alcançar o espírito de aventura que representa a travessia do País por fora de estrada

Num daqueles momentos que se torna marca distintiva de cada edição do Portugal de Lés-a-Lés, a intensa chuvada que caiu no Alentejo, durante a última etapa do evento da Federação de Motociclismo de Portugal, deixou muitas histórias para mais tarde recordar. Bastaram uns minutos para que se abatesse sobre a maior parte dos participantes um autêntico dilúvio… de aventura. O percurso já de si exigente antes da chegada a Ermidas do Sado, onde estava montado o Oásis da FMP, viu-se repentinamente elevado à categoria de ‘hard-enduro’. Ou, no mínimo, comparável a uma das mais pluviosas edições da Baja de Portalegre, daquelas em que só elevados dotes de patinagem artística permitem atravessar as escorregadias zonas de lama barrenta. Palco destinado a grandes atuações e a quedas, muitas quedas, a somarem-se às protagonizadas nos extensos troços de areia na entrada em solo alentejano.

Numa jornada longa de 375 quilómetros, entre Almeirim e Portimão, este foi um dos momentos avisado pela organização desde o primeiro momento, ressalvando a importância de uma boa gestão do esforço e do tempo para alcançar o espírito de aventura que representa a travessia do País por fora de estrada. Gestão que era bem necessária num dia com paisagens e pisos bem diferentes das serranias pedregosas da etapa inicial, e dos troços recurvados do segundo dia, onde todos elogiaram o prazer de condução. Exigências que deram mais motivos para sorrir e outro encanto à receção no pórtico final pelas animadoras Lynn Saraiva, Luísa de Castro e Rute Galego.

A força do sexo (dito) fraco

Dificuldades no último dia que reforçaram o valor dos sorrisos na chegada ao Passeio da Ribeirinha, onde o rio Arade galga os últimos metros antes de desaguar no Oceano Atlântico. Com a mesma tranquilidade com que os participantes passavam sob o pórtico de chegada, depois de um dia longo e intenso, justificando a presença na aventura proposta pela Comissão de Mototurismo da FMP e a sustentar promessas de regresso em 2027.

Como aconteceu com duas amigas da piloto de todo-o-terreno, Janaína Souza, que chegaram ao final “completamente derreadas mas extremamente felizes por superar tantas exigências e dificuldades ao longo de três dias muito intensos e divertidos”. Jacqueline Zentner e Carla Vidal nunca tinham participado num evento de todo-o-terreno e a sua experiência em fora de estrada “resumia-se a umas voltas com motos pequeninas numa pista em Sintra com os ensinamentos da Jana”. Habituada a longas viagens em estradas asfaltadas aos comandos de uma pesadona BMW R1300 GSA, Jacque, que ainda recentemente andou pela Roménia, atravessando a Transfagarasan, mas também pela Turquia, Grécia e outros países, não resistiu ao desafio lançado pela piloto brasileira e, mesmo sem treino, levou a pequena Yamaha WR125R a cumprir todo o percurso. Como ainda conseguiu contabilizar todas as quedas, “três no primeiro dia, duas no segundo e quatro na última etapa”, considera que “até nem foi assim tão mau” e garante que ficou com vontade de regressar em 2027.

Particularmente agradada com o ambiente vivido no Portugal de Lés-a-Lés Off-Road, mostrou que estas aventuras não são exclusivas de homens de barba rija. “Aliás, depois de ficar amando estes desafio há que botar o bichinho no marido para regressar com a companhia dele”, remata Jaqueline para quem “a passagem pela areia foi muito cansativa e sem dúvida o ponto mais marcante do dia e talvez de todo o passeio”. Desafio de monta para as duas estreantes, enquanto a rápida Janaína se divertia com a “pequena WR125R da Yamaha, bem diferente da WR450 que vai correr nos Seis Dias de Enduro, em Grândola, mostrando que é possível participar nestas aventuras com motos assim. Basta querer e ter a coragem de sair do sofá, deixando de arranjar desculpas para não aparecer”.

Algo que Sara Lisboa já faz há alguns anos, participando de forma assídua nos eventos da FMP integrada na grande e colorida equipa da Jomotos, sem desistir mesmo perante algumas adversidades. Como a queda sofrida no último dia, em plena zona de areia que, com tamanho azar, lhe valeu ser atropelada pelo pluricampeão de motocrosse e enduro, António Oliveira. Incidente sem danos físicos mas que obrigou o conhecido “Esgravulha” a socorrer-se da boa vontade de um amigo que o rebocou durante uns quilómetros para chegar com a Yamaha Ténéré com o cárter partido até à estrada mais próxima.

Mas este é, decididamente, um desafio lançado a todos os/as motociclistas, “porque o prazer de andar de moto não escolhe sexo nem idade”. Que o diga Vasco Granger que, com 16 anos, foi o mais jovem participante nesta 11.ª edição do Portugal de Lés-a-Lés Off-Road, com a Husqvarna 125 sempre escoltada pelo pai Bruno, prova inequívoca da mais-valia dos prazeres partilhados em família. E que, também ele, quer regressar no próximo ano. Onde deverá reencontrar os irlandeses John Galavan, Robert e John Anthony Murphy, David Rynhart e Paul Coles, bem como os italianos, Stefano Scartozzi, Alessandro Marano, Giulio Di Michele, Alessandro Paganelli e Giovanni Masci, o ucraniano Volodymyr Pyrogov, os sul-africanos Sean Dunstan e Derek Lubbers, o neerlandês Sven Schulte, os franceses Yvon Guilliene e Jean-Michel Lach, os suíços Vincent Zosso e Nicolas Sieczko ou o finlandês Harri Tapio Eskelinen. Além, claro está, de um número cada vez maior de espanhóis.

Sendo certo que, também eles, gostariam de ver as serras portuguesas cobertas de árvores autóctones, num esforço que a Federação de Motociclismo de Portugal continua a desenvolver junto das populações dos locais atravessados pelo evento, sobretudo dos mais jovens, Este ano cumpriu-se a 8ª Campanha de Sensibilização Reflorestar Portugal de Lés-a-Lés, levando mais umas centenas de árvores aos locais afetados pelos incêndios e procurando alertar a população para as vantagens da utilização de espécies originárias de cada local e, por isso mesmo, as mais adequadas. Em Portimão, com importante ajuda dos escuteiros do Agrupamento 159, foram plantados mais 25 sobreiros, com garantia de bom acompanhamento nos próximos anos. Lá passarão, mais dia menos dia, as caravanas das versão normal, clássica e de ‘off-road’ do Portugal de Lés-a-Lés.

 

Outubro 5, 2026 . 12:00

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