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Greve dos trabalhadores da administração pública com bons números de adesão

A presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local (STAL) considerou hoje que os dados de adesão à greve dos trabalhadores das carreiras gerais da administração pública “são bons”, considerando os distritos de Évora, Lisboa e Setúbal.

Em declarações à agência Lusa, Cristina Torres explicou que “a maioria dos locais de trabalho está [com adesão à greve] acima dos 60%”, sobretudo nos distritos de Lisboa e Setúbal.

“Temos bons dados dos locais de trabalho, um ou outro com menos adesão. Acabei agora de saber, por exemplo, que em Tomar o mercado e o arquivo estão encerrados”, disse a presidente do STAL.

Para a responsável, a greve de hoje tem impacto, sobretudo, nos locais de equipamentos de atendimento aos cidadãos, tanto na administração central como na administração local, nomeadamente na recolha de lixo e nas escolas, entre outros serviços.

De acordo com Cristina Torres, dados mais concretos da adesão só serão conhecidos na próxima semana, lembrando que muitos trabalhadores de outros pontos do país estão a deslocar-se à capital para a concentração na Praça da Figueira, pelo que não conseguiram reunir todos os dados.

“Agora, hoje o que temos, é o Barreiro, Almada, Sesimbra, Loures, Vila Franca de Xira e Évora, no conjunto dos municípios do distrito de Lisboa e Setúbal, e incluo aqui Évora onde a jornada de trabalho destes trabalhadores arranca muito cedo, às 21:00, e foram os primeiros dados que tivemos, que foram acima dos 90%”, afirmou.

Dos motivos que levaram à greve de hoje, Cristina Torres sublinhou que, além do “problema da valorização dos salários, há a questão das profissões”, considerando os assistentes operacionais, que “são pintores, motoristas de pesados, condutores de equipamentos especiais, serralheiros, carpinteiros, jardineiros, condutores de transportes de passageiros de transportes coletivos municipais”.

Segundo a sindicalista, são “cerca de 350 mil trabalhadores que desde 2008 foram remetidos para três ‘alguidares’ de profissões, de conteúdos funcionais”, nomeadamente Técnico Superior, Assistente Técnico e Assistente Operacional.

“Nós precisamos ver valorizadas as carreiras, as profissões destes trabalhadores”, disse.

Os primeiros serviços de recolha noturna e higiene urbana estiveram encerrados nos municípios da Moita, Palmela e Seixal, com elevada adesão em Évora (99%) e Amadora e Almada (78%) devido à greve.

Em comunicado, o STAL deu conta dos dados relativos ao período noturno, considerando que os dados até então refletiam o “profundo descontentamento dos trabalhadores das carreiras gerais da Administração Pública, que continuam a ser confrontados com a desvalorização das suas profissões, carreiras e salários”.

A jornada nacional de luta foi convocada, além do STAL, pela Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (FNSTFPS) e pelo Sindicato dos Trabalhadores do Município de Lisboa (STML).

Na nota, o STAL considerou que, “sob o pretexto da ‘polivalência’, os sucessivos governos do PS e do PSD/CDS promoveram o nivelamento salarial por baixo, ‘empurrando’ milhares de profissionais qualificados para valores salariais próximos do salário mínimo nacional”.

Para o sindicato, “é urgente avançar para uma revisão profunda do atual modelo de carreiras, recuperando uma estrutura que reconheça a diversidade das profissões existentes na Administração Pública e permita valorizar efetivamente quem trabalha, reivindicação que deve caminhar lado a lado com a revogação do SIADAP e a criação de mecanismos de progressão e promoção que permitam uma verdadeira valorização profissional”.

Desta forma, a FNSTFPS, o STAL e o STML, “recusando a estagnação, a perda de poder de compra, a precarização das perspetivas profissionais e a desvalorização das competências dos trabalhadores, exigem a revisão das carreiras (…), a valorização de todas as profissões existentes na Administração Pública (…), uma estrutura de carreiras que permita aos trabalhadores entrar, progredir e chegar ao topo da sua carreira, com regras claras, transparentes e justas e o fim da utilização abusiva da polivalência funcional como instrumento de desvalorização profissional”.

Pretendem, também, que “a experiência, a formação, a responsabilidade e a especialização tenham tradução concreta na carreira e na remuneração”.

Outubro 2, 2026 . 11:30

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