
Ministério Público realiza buscas na Polícia Judiciária no inquérito contra Carlos Cabreiro
O Ministério Público realizou buscas na Polícia Judiciária (PJ) no âmbito de um inquérito em que o diretor da instituição, Carlos Cabreiro, é suspeito de falsas declarações e abuso de poder, confirmou a Procuradoria-Geral da República (PGR).
A PGR esclareceu que "as diligências de buscas e apreensão visam a recolha de elementos probatórios para confirmar ou infirmar os factos constantes da denúncia que deu origem ao inquérito", acrescentando que o processo "não tem arguidos constituídos".
Em comunicado, a PJ garantiu ter colaborado "com as autoridades judiciárias" durante as buscas, "prestando todo o apoio necessário ao normal desenvolvimento das diligências".
O inquérito, que está sob segredo de justiça e investiga falsidade de testemunho e abuso de poder, contou nas buscas com a participação de diversos magistrados do Ministério Público, inspetores da Autoridade Tributária e peritos informáticos que auxiliam a operação, segundo a PGR.
As buscas decorreram na Unidade de Prevenção e Apoio Tecnológico da PJ, situada na escola de formação da força policial, no concelho de Loures, conforme noticiado pelo Expresso.
O inquérito foi aberto na sequência de uma denúncia relacionada com o processo Football Leaks, na qual o atual diretor da PJ é acusado de ter prestado falsas declarações em tribunal ao afirmar que não foram feitas escutas ambientais na investigação a Rui Pinto.
O processo Football Leaks, julgado em 2023, envolveu casos de acesso indevido e violação de correspondência de várias entidades, incluindo o Sporting, a Doyen, a sociedade de advogados PLMJ, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e a PGR.
Segundo a queixa, estão em causa gravações autorizadas por Carlos Cabreiro de um encontro em 2015 numa área de serviço na autoestrada A5 (Lisboa-Cascais) entre Aníbal Pinto e outros intervenientes, que terá sido decisivo para a identificação de Rui Pinto pela PJ.
Carlos Cabreiro é diretor nacional da PJ desde abril de 2026 e, à data da diligência sob suspeita, coordenava a Secção de Investigação da Criminalidade Informática da Diretoria de Lisboa e Vale do Tejo da força policial.
Quando prestou declarações no julgamento do processo Football Leaks, Cabreiro era diretor da Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e à Criminalidade Tecnológica da PJ.







