
Denunciado ciberataque a sistema de votação eletrónica em Moscovo
A Comissão Eleitoral Central (CEC) da Rússia denunciou hoje um ciberataque em grande escala contra o sistema de votação eletrónica em Moscovo, considerado pela oposição um instrumento de fraude nas eleições legislativas deste fim de semana.
“Literalmente, durante toda a noite, o sistema de Moscovo foi alvo de um ataque muito potente”, afirmou Ela Pamfilova, presidente da CEC, à comunicação social local, dando conta de que se tratou de um ataque “praticamente contínuo” e “abrangente e intenso”.
Segundo Ela Pamfilova, o sistema, no entanto, funciona normalmente, uma vez que a comissão não terá recebido qualquer queixa a esse respeito.
“É preciso alertar toda a gente. A nossa missão é realizar as eleições da forma mais limpa possível. O mais possível!”, afirmou a presidente da CEC, acrescentando que disso depende a legitimidade do processo eleitoral na Rússia.
A responsável deixou ainda um apelo à imprensa, no sentido de “não trabalhar a favor dos inimigos que querem desacreditar” o ato eleitoral.
O grupo de ‘hackers’ anónimos CikLeak afirma ter invadido os servidores para denunciar que a CEC “criou um sistema de votação eletrónica remota completamente opaco” que permite a fraude eleitoral.
Por isso, apelaram aos russos para que se deslocassem às mesas de voto apenas no último dia das eleições, no domingo, “para dificultar a falsificação dos resultados".
Um terço dos russos já votou nas primeiras eleições legislativas depois do início da guerra com a Ucrânia, informou a CEC na manhã de hoje.
As autoridades admitem que a maioria dos habitantes da capital e da região de Moscovo votou por via eletrónica. No total, segundo o Governo, 70% dos russos que tinham solicitado a opção de voto eletrónico votaram dessa forma na sexta-feira, o que suscitou suspeitas por parte de observadores e da oposição.
O próprio Presidente russo, Vladimir Putin, deu início às eleições legislativas na sexta-feira, votando pela Internet. Seguiram-no o primeiro-ministro, Mikhail Mishustin, o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, e o presidente da câmara de Moscovo, Sergei Sobyanin.
O partido Rússia Unida procura revalidar a maioria constitucional que alcançou em 2016, embora jogue contra si o facto de 59% dos russos defenderem o fim rápido da guerra, de acordo com uma sondagem do Centro Levada.







