
Projeto de reformulação reduz em 34% a capacidade da central solar Sophia
“Relativamente à capacidade instalada, é feita uma redução de 34%, de 867MWp (Megawatt pico) para cerca de 573MWp. Neste contexto, a área vedada do projeto é reduzida em 32% e o número de núcleos vedados diminui de 44 para 22, uma redução de 50%”, explicou a Lightsource BP na informação disponibilizada à agência Lusa.
O projeto inicial da central abrangia os municípios do Fundão, Idanha-a-Nova e Penamacor, no distrito de Castelo Branco, e uma capacidade instalada de 867 MWp.
A área ocupada do projeto por módulos fotovoltaicos era de 390 hectares, 435 hectares considerando todas as infraestruturas, e um total de 1.734 hectares de área vedada.
A nova proposta que vai ser apresentada à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) para avaliação reduz a área ocupada nos concelhos de Penamacor e Idanha-a-Nova e mantém no concelho do Fundão o troço da linha até à subestação que assegura a ligação do projeto à rede elétrica.
A nova proposta elimina também os quatro corredores de linhas aéreas de média tensão previstos na configuração inicial e cerca de 70% da extensão da linha preferencial proposta fica adjacente a linhas já existentes no território, “permitindo concentrar esta infraestrutura num corredor elétrico já estabelecido e, dessa forma, reduzir os respetivos impactes”.
“Cerca de 70% da área ocupada por painéis corresponde na proposta reformulada a monocultura de eucalipto. Além disso, o projeto retira-se completamente da zona com potencial de regadio futuro (ocupação de 222,1 hectares para zero hectares)”, vincou o promotor.
A reformulação do projeto do parque solar Sophia é acompanhada por um programa de benefícios partilhados que implica um investimento global de mais de 20 milhões de euros, através de 10 iniciativas de proximidade ao serviço do território.
Este inclui um projeto de autoconsumo coletivo, a par de medidas de apoio a famílias em situação de pobreza energética, promoção da literacia energética, formação e empregabilidade, investimento social local, apoio à prevenção e combate a incêndios e à atividade agropastoril, e valorização do turismo sustentável na Beira Baixa.
Para Miguel Lobo, Diretor-Geral da Lightsource bp em Portugal, “a solução que agora se apresenta reduz significativamente a dimensão do projeto e altera a sua implantação, procurando responder às preocupações identificadas ao longo do processo”.
Miguel Lobo vincou ainda que os contributos recebidos durante a consulta pública, as reuniões e sessões com a população e os pareceres das entidades “permitiram reformular o projeto do parque solar Sophia com mais pormenor, apesar de este ainda se encontrar numa fase de estudo prévio, distante ainda da implementação, que está prevista para 2029”.
Na componente ambiental, o projeto reduz em 99% a intersecção com áreas de Reserva Ecológica Nacional, passando de 10,8 hectares para cerca de 0,1 hectares.
É igualmente eliminada a afetação de 7,1 hectares de povoamentos de carvalho-negral e a reformulação deixa ainda de prever o abate de sobreiros e azinheiras de grande porte, continuando a garantir-se que não existem abates de sobreiros e azinheiras em povoamento.
Na componente de avifauna, a distância ao dormitório de abutre-negro aumenta de 290 metros para aproximadamente 4,4 quilómetros.
A promotora da central solar fotovoltaica Sophia tem como prazo o dia 02 de outubro para submeter à autoridade de Avaliação de Impacte Ambiental (AIA) a reformulação do projeto após a identificação de “impactes negativos muito significativos”.
Em fevereiro, a comissão de avaliação coordenada pela APA confirmou à Lusa a identificação de “impactes negativos significativos e muito significativos” no projeto da central solar fotovoltaica Sophia.
Segundo a AIA, esses impactes negativos significativos e muito significativos verificaram-se designadamente ao nível da paisagem, do solo e uso do solo, do ordenamento do território e da socioeconomia.








