
Partido nacionalista australiano propõe cortar 750 mil vistos temporários
O partido nacionalista australiano One Nation propôs hoje reduzir em mais de 750 mil o número de titulares de vistos temporários nos próximos três anos, com fortes cortes para estudantes internacionais e familiares de trabalhadores qualificados.
A formação política, que conquistou em maio o seu primeiro assento na Câmara dos Representantes, defende limitar os vistos de estudantes a pouco mais de 100 mil por ano — cerca de um terço do atual valor — e criar uma nova categoria para estudantes considerados de “alto valor”, semelhante aos chamados “vistos de génios” promovidos pelo Presidente norte‑americano, Donald Trump.
O plano prevê ainda reduzir de 270 mil para 40 mil as vagas para graduados internacionais que pretendam permanecer na Austrália para trabalhar após os estudos. Os familiares de estudantes e trabalhadores qualificados deixariam de ter acesso a vistos, embora o partido admita exceções em alguns casos.
Fundado em 1997 pela senadora Pauline Hanson, que continua a liderar a formação, o One Nation defende restrições severas à imigração, rejeita o multiculturalismo e políticas climáticas ambiciosas, além de promover um discurso soberanista e anti‑elites.
Atualmente conta com seis representantes no parlamento federal: dois na Câmara dos Representantes e quatro no Senado.
Segundo Hanson, a proposta fixa um teto de 130 mil migrantes anuais, revisto todos os anos, com o objetivo de alcançar níveis de 2017 e até uma “migração líquida negativa”, ou seja, mais saídas do que entradas.
A Austrália, historicamente marcada pela imigração, viu a população crescer de cerca de dois milhões em 1880 para 28 milhões atualmente. A imigração intensificou‑se após a Segunda Guerra Mundial e voltou a aumentar desde o início do século, impulsionada sobretudo pelos vistos temporários.
A migração atingiu um recorde de 518 mil pessoas entre 2022 e 2023, embora a média dos últimos cinco anos seja de 280 mil anuais, segundo a emissora ABS.
O Governo do primeiro‑ministro trabalhista, Anthony Albanese, prepara também uma reforma migratória, considerada mais moderada, cujos detalhes ainda não são conhecidos, mas que poderá afetar os vistos que permitem a jovens estrangeiros viajar e trabalhar temporariamente no país.







