Quando o futebol feminino coloca Viseu no centro do país
A Supertaça de futebol feminino trouxe até à nossa cidade atletas, equipas, dirigentes, adeptos e famílias. Trouxe competição, emoção e, acima de tudo, trouxe pessoas ao Fontelo.
E para quem é de Viseu, sabe bem ver a nossa cidade associada a estes grandes momentos. Confesso que gosto de ver o Fontelo assim.
Gosto de ver pessoas a chegar, camisolas de clubes diferentes, famílias nas bancadas e crianças a olhar para o relvado. Porque acredito que é nestes momentos que se criam memórias e, muitas vezes, também se começam a criar sonhos. Principalmente quando falamos de futebol feminino.
Durante muitos anos, demasiados até, o futebol parecia ser um desporto quase exclusivo para homens. Felizmente, isso está a mudar. Hoje vemos cada vez mais meninas a jogar futebol. Vemos pais e mães nas bancadas a acompanhá-las, clubes a criarem equipas femininas e jovens que já têm jogadoras como referências.
Pode parecer uma mudança pequena, mas não é. Uma menina que há alguns anos queria jogar futebol tinha muitas vezes de explicar o porque dessa opção. Hoje começa, felizmente, a ser apenas mais uma criança que quer jogar à bola. E isso é uma vitória enorme.
Por isso, receber em Viseu uma competição como a Supertaça feminina tem também esse significado. Não estamos apenas a receber um jogo. Estamos a ajudar a mostrar que o futebol é de todos e para todos. Talvez entre as crianças que estiveram nas bancadas do Fontelo estivesse uma menina que saiu dali com vontade de pedir aos pais para começar a jogar futebol. Talvez um dia volte ao mesmo estádio, mas já não para estar na bancada. Quem sabe?
É também isto que o desporto consegue fazer. Mas há outra dimensão desta Supertaça que não podemos ignorar. Viseu tem vindo a apostar no desporto como uma das formas de levar o nome da cidade mais longe. E penso que é uma aposta que devemos valorizar e continuar.
Quando recebemos uma competição nacional, não recebemos apenas duas equipas, recebemos pessoas. Pessoas que almoçam nos nossos restaurantes, tomam café nas nossas esplanadas, dormem nos nossos hotéis, passeiam pelas nossas ruas e conhecem um pouco daquilo que temos para oferecer.
Exemplo disto é as camisolas de ambas equipas que se viam passear nas superfícies comercias horas antes do jogo.
Algumas talvez nunca tivessem vindo visitar Viseu se não fosse aquele jogo. O futebol tem precisamente essa força. Chega onde poucas coisas conseguem chegar. Entra diariamente nas casas das pessoas, ocupa espaço nos jornais, nas televisões e, hoje mais do que nunca, nas redes sociais.
Quando uma grande competição acontece no Fontelo, durante algum tempo não se fala apenas das equipas que estão em campo. Fala-se também de Viseu. E isso é importante para a nossa cidade.
Naturalmente, esta aposta nos grandes eventos tem de caminhar lado a lado com o apoio ao desporto local. Temos muitos clubes, associações, dirigentes, treinadores e atletas que trabalham diariamente, muitas vezes com poucos recursos, e que também merecem condições e reconhecimento.
Uma cidade verdadeiramente amiga do desporto tem de conseguir fazer as duas coisas, receber os grandes e nunca esquecer aqueles que cá estão todos os dias. E é esse equilíbrio que se deve encontrar.
Gostava de continuar a ver Viseu receber grandes competições e ver o Fontelo com gente. E gostava, particularmente, que o futebol feminino encontrasse sempre portas abertas na nossa cidade.
Porque o futebol feminino merece crescer. E porque Viseu merece continuar a mostrar-se ao país, na final da Supertaça houve uma equipa que levantou o troféu. Mas acredito que Viseu também ganhou. Ganhou movimento, ganhou visibilidade e, acima de tudo, recebeu pessoas.
E talvez seja essa uma das maiores forças do desporto, juntar pessoas que nunca se viram, à volta de uma bola, num estádio, numa cidade.
Desta vez foi em Viseu. E espero que seja muitas mais vezes.





