O Homem Vitruviano e a figura feminina no Mundo
Se um homem pode ser tudo o que pretende, porque motivo uma mulher não poderia?
Na verdade, as mulheres nascem dobradas à sua própria cruz e não têm direito a espraiar os braços com a mesma liberdade que o Homem Vitruviano exibe de forma orgulhosa.
Muitas delas nem o querem fazer. São mulheres habituadas ao seu cativeiro, à sua redoma.
Síndrome de Estocolmo? Seguramente.
Mas esta imagem é uma provocação implícita. Responde à ideia de que o poder absoluto repousa na figura masculina e embeleza-a, idolatra-a.
Ao mesmo tempo que romantiza a figura física desta personagem, também lhe atribui a faculdade de se transcender, de se superar, de ir além daquilo que é. No fundo, a sociedade e o alto conhecimento, “puxa” pelos mesmos de sempre, procurando silenciar, pela exclusão e pelo esquecimento, os atributos da figura feminina.
Seria essa constatação motivo suficiente para baixar os braços? Na realidade, acho que há um outro vetor relevante do Homem Vitruviano que pode aproveitar à aprendizagem e à vida no feminino: a postura aberta, de braços erguidos, num símbolo de afronta e firmeza em relação ao que adviria da existência.
É, portanto, crucial ter a mesma presença física e mental: não baixar os braços. Acolher o percurso pessoal e permanecer disponível para a maravilha perpétua que é a existência humana, sem nunca nos encolhermos. E esse exercício de não encolhimento é muito mais difícil do que o que pode parecer.





