Interior Rural: Prioridades Estratégicas
Por isso esperam que as autoridades estejam permanentemente vigilantes relativamente a ações criminosas, ou de grosseira negligência, que provocam as ignições, que criam as chamas que se propagam para destruir pessoas e bens .
Convém sublinhar duas questões fundamentais sobre os incêndios rurais:
1 – Não há ignições espontâneas!
Mesmo com temperaturas muito altas os incêndios só começam por mão criminosa ou por grosseira negligência.
Por isso é fundamental reforçar a vigilância, sobretudo quando existem condições propícias à propagação do fogo.
Neste sentido, não podemos estar tranquilos nas próximas semanas pois em Setembro de 2024 bastaram quatro dias, em que ocorreram mais de quatro mil ignições ..., para arderem quase 200 mil hectares que arruinaram a vida de muita gente no Interior Rural.
2 – As políticas públicas têm que promover parcerias com as populações do Interior para evitar a propagação dos incêndios.
E para esse efeito, a prioridade das políticas públicas terá que ser a construção de Parques de Recolha de Biomassa em todos os concelhos de elevada densidade florestal, para que os proprietários do minifúndio possam colocar os seus excedentes de biomassa, e serem aí recompensados pelas despesas de corte e de transporte dessa biomassa.
Acresce que, neste ano de 2026, continuam espalhadas pelos terrenos rurais milhões de toneladas de biomassa que tiveram origem nas tempestades de Janeiro e Fevereiro deste ano, e também da madeira ardida que ficou já dos anos anteriores.
Os incêndios rurais transformaram-se num “ trauma nacional” desde 2017, quando mais de 120 portugueses perderam a vida em devastadores incêndios rurais. Essa tragédia tornou patente um “verdadeiro colapso da coesão territorial” no nosso País, que afeta e destrói o Interior Rural .
Ciente desse facto, o anterior Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, decidiu celebrar o Dia de Portugal em 2024 nos três Concelhos mártires de Figueiró dos Vinhos, de Castanheira de Pera e de Pedrógão Grande .
Apesar disso, os poderes públicos nada fizeram para promover a recolha eficaz dos excedentes de biomassa agroflorestal de forma a que esta deixe de ser uma ameaça e passe a ser uma oportunidade de desenvolvimento económico do Interior Rural.
O excesso de biomassa atualmente espalhada pelos terrenos é de tal maneira elevada, que é necessário que o Fundo Ambiental promova com urgência o respetivo aproveitamento energético.
Esta biomassa é uma fonte de calor renovável, sem emissões líquidas de CO2, e que pode substituir a utilização de gás butano e/ou de gás natural na produção de vapor em várias indústrias e também na produção de calor doméstico.
E pode também ser armazenada para ser utilizada em Centrais a Biomassa, que produzem eletricidade firme e renovável, que tanta falta faz como backup para compensar as intermitências das potências eólicas e solares.
Esperamos sinceramente que estas prioridades estratégicas estruturais avancem rapidamente, evitando-se tragédias desnecessárias, e garantindo a Coesão Territorial do conjunto do nosso País.






