
Extrema-direita alemã pode conquistar o seu primeiro governo regional
O partido de extrema-direita alemão AfD está a liderar as sondagens na Saxónia-Anhalt, com 40%, e pode vencer pela primeira vez uma eleição regional na Alemanha, ficando em posição de reivindicar o governo estadual.
De acordo com a sondagem Politbarometer, divulgada na sexta-feira pela estação pública alemã ZDF, considerada um dos barómetros políticos mais fiáveis do país, se as eleições do próximo dia 06 de setembro se realizassem este domingo, a Alternativa para a Alemanha (AfD) seria o partido mais votado na Saxónia-Anhalt, com 40% dos votos, quase o dobro dos 20,8% obtidos nas eleições anteriores, em 2021.
Segundo o inquérito de opinião, a AfD mantém a sua clara vantagem, com quase o dobro das intenções de voto da União Democrata-Cristã (CDU) do atual chanceler alemão, Friedrich Merz, com 23%, a pouco mais de uma semana das eleições, embora seja pouco provável que consiga alcançar a maioria absoluta.
Cerca de 1,8 milhões de eleitores são chamados às urnas a 06 de setembro neste estado do leste da Alemanha, com aproximadamente 2,1 milhões de habitantes.
A apenas cerca de 150 quilómetros de Berlim, a Saxónia-Anhalt, cuja capital é Magdeburgo, poderá marcar um ponto de viragem na política alemã, caso a extrema-direita confirme nas urnas a liderança apontada pelas sondagens.
Saxónia-Anhalt enfrenta uma forte transformação demográfica, marcada pelo envelhecimento e pela perda de população. Em 2025, o estado perdeu mais de 15 mil habitantes, mantendo uma tendência que se prolonga há décadas e é particularmente acentuada nas zonas rurais.
A população mais envelhecida e a saída de habitantes em idade ativa colocam pressão sobre os serviços públicos. Em várias localidades, a redução da população dificulta a manutenção de escolas, creches, transportes, comércio e cuidados de saúde, aumentando também as diferenças entre as cidades e o interior.
O desemprego elevado e a falta de trabalhadores coexistem no mesmo território, sendo um dos principais temas da campanha para as eleições.
A taxa de desemprego atingiu 8,1% em julho, enquanto empresas continuam a procurar mão-de-obra, sobretudo na indústria, construção, saúde, logística e restauração.
Os salários permanecem entre os mais baixos da Alemanha. Em 2025, o salário mediano bruto de um trabalhador a tempo inteiro era de 3.563 euros por mês, contra 4.217 euros na média nacional. A diferença é ainda maior em algumas zonas rurais.
A pobreza também afeta uma parcela significativa da população da Saxónia-Anhalt. Em 2025, 21,3% dos habitantes estavam em risco de pobreza, enquanto 24,1% estavam em risco de pobreza ou exclusão social, segundo dados oficiais.
Apesar destes indicadores, o estado tem uma importante base industrial, nomeadamente nos setores químico, alimentar e energético, além de uma forte atividade agrícola.
O desafio é garantir mão-de-obra e investimento suficientes para sustentar esta economia num estado com uma população ativa cada vez menor.
A imigração tornou-se também uma questão demográfica e económica na Saxónia-Anhalt.
Com menos trabalhadores disponíveis, empresas de vários setores dependem cada vez mais de trabalhadores estrangeiros para preencher postos de trabalho e compensar parcialmente a redução da população ativa.
Um estudo da Universidade Hochschule Magdeburg-Stendal identificou economia, emprego e infraestruturas entre os principais problemas apontados pela população, num estado onde as condições económicas e sociais continuam a divergir significativamente das regiões mais prósperas da Alemanha.
O ‘land’ (estado federado) da Saxónia-Anhalt combina, assim, alguns dos principais desafios enfrentados pelo leste alemão: perda de população, envelhecimento, baixos salários, pobreza, falta de trabalhadores e dificuldades na manutenção de serviços públicos, mas também uma base industrial relevante e potencial para novos investimentos.








