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Estudantes de Medicina criticam abertura de novos cursos sem estratégia nacional

Associação Nacional considera que aumento de vagas não resolve falta de médicos no SNS

Os estudantes de Medicina criticaram a abertura de novos cursos no país sem uma estratégia nacional definida, considerando que a ideia de que o aumento de vagas resolveria a falta de médicos no Serviço Nacional de Saúde (SNS) é "uma retórica falaciosa".

Maria Fontão, presidente da Associação Nacional de Estudantes de Medicina (ANEM), afirmou à Lusa que "não achamos benéfica a abertura significativa de mais vagas de Medicina" e que "existe uma retórica falaciosa de que tal iria resolver o problema do Serviço Nacional de Saúde (SNS), mas é ilusório".

Esta crítica surge no contexto do novo curso de Mestrado Integrado em Medicina da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, que disponibilizou mais 40 vagas no concurso nacional de acesso ao ensino superior, e da possibilidade de abertura em breve de outro curso na Universidade de Évora.

Maria Fontão sublinhou que "abrir escolas médicas no interior do país não é negativo", mas alertou que isso "não se pode traduzir num aumento nacional de vagas".

Para a ANEM, a solução passaria por "diminuir as vagas nas áreas metropolitanas e distribuir as existentes pelas regiões no interior" do país.

Maria Fontão referiu que, embora existam estudos internacionais que mostram que alunos formados no interior tendem a permanecer a exercer nessa região, essa realidade não se verificou na Universidade da Beira Interior, que ainda enfrenta dificuldades em fixar médicos.

A presidente da ANEM acrescentou que "não se pode usar o número de vagas para vender a ideia de maior sustentabilidade do SNS, porque tal não tem acontecido. É preciso que o SNS se torne mais atrativo para conseguir ter mais profissionais".

Além disso, alertou que em Trás-os-Montes não existem as mesmas oportunidades clínicas para estágios como nos hospitais do litoral, que, por sua vez, já não têm capacidade para receber mais alunos por estarem no limite.

"Não olhamos para os cursos de medicina de forma isolada, gostamos de olhar numa perspetiva nacional. Percebemos que existe uma perspetiva local que pesa muito, mas tem de haver uma estratégia mais fundamentada", defendeu Maria Fontão.

Este fim-de-semana foram divulgados os resultados da primeira fase do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior, que colocaram quase 50 mil alunos.

Agosto 24, 2026 . 16:45

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