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O Académico “de elite” terá hipóteses de se manter entre os principais?

Após três décadas e meia de espera, os Viriatos regressam ao principal escalão com um calendário inicial impiedoso e uma única certeza: a permanência terá de ser suada.

Projeto de crescimento sustentado

No contexto da Liga 2 e da Liga 3, em Portugal, as dificuldades são sempre enormes para criar projetos sustentados, sobretudo para os clubes que se endividaram com descidas de divisão e diminuição abrupta das receitas. Tem havido algumas exceções e, felizmente para a saúde do futebol português e para os respetivos adeptos, o Académico de Viseu FC, Futebol SAD é uma delas.

O regresso à elite, confirmado em maio deste ano, com um empate frente ao Sporting B, foi a consequência natural de um projeto com princípio, meio e fim. Recolocar os viseenses no mapa principal do futebol português era há alguns anos o principal objetivo, mas nem por isso foram tomadas decisões financeiras precipitadas. Foi possível manter o rumo.

A entrada da SAD não teve impacto imediato e na primeira época a descida ao terceiro escalão esteve em risco, com a permanência apenas conquistada na penúltima jornada. Seguiu-se uma época já a jogar no Fontelo (e não em Aveiro), com o apoio da autarquia, com a inédita presença na Final Four da Taça da Liga como ponto alto.

Criadas as bases, esse foi o ponto de viragem de uma equipa que, a partir daí, se assumiu sempre como uma das principais forças da Liga 2. O regresso ao escalão principal era, por isso, uma questão de tempo. Nesta mesma época transata, os sub-23 brilharam na última edição da então denominada Liga Revelação, agora chamada Liga Next Gen.

Os desafios da Primeira Liga

Passaram 37 anos da última vez que o Académico esteve entre os primodivisionários. Não há a mínima comparação com a realidade dessa altura (que também tinha as suas complicações) e as missões academistas são muitas. Desde logo, o primeiro terço da temporada traz um calendário especialmente desafiante, com a equipa de Bruno Pinheiro a jogar na Luz logo na 1.ª jornada, a receber o FC Porto logo na 4.ª jornada e a jogar em Alvalade na 9.ª jornada. Pelo meio, por exemplo, recebe o Vitória SC e joga em Barcelos, frente a equipas de top 7 em 2025/26.

Este “cabo das tormentas” terá de ser ultrapassado com maior ou menor dificuldade, cabendo ao Académico terminar esse primeiro terço fora da linha de água. Essa seria, seguramente, uma primeira meta encorajadora. A falta de experiência de alguns jogadores será também um handicap para atenuar rapidamente e quando a bola começar a rolar... são todos jogadores de primeira.

O histórico de quem sobe da Liga 2 à elite 

Do céu ao inferno. É esse o desenlace que o Académico quer evitar, depois de consumado o regresso ao escalão principal. São vários os exemplos de equipas que brilham na Liga 2 e que, nove meses depois, caem novamente ao segundo escalão.

E o exemplo mais recente é precisamente a equipa que mais vezes nos últimos anos tem representado o distrito na liga principal: o Tondela. Farense e Nacional, por exemplo, em 2020/21, sofreram do mesmo, tal como União da Madeira (2015/16), Penafiel (2014/15) e Moreirense (2012/13). Antes disso, já Feirense (2011/12), Portimonense (2010/11) e Trofense (2008/09), este campeão da II Liga um ano antes, também estiveram só por alguns meses no escalão principal.

De qualquer modo, o site de previsões desportivas SportyTrader não projeta a descida do Académico, embora assuma que nada será fácil para os Viriatos. Não é fácil prever, com tanto ainda para se desenrolar e plantéis ainda por fechar, o que poderá acontecer este ano, mas há sempre equipas mais "candidatas" do que outras a cair na linha de água. Durante a época, poderá acompanhar todas as previsões sobre o Académico, jornada após jornada, através dos prognósticos futebol com uma análise verdadeiramente humana publicados diariamente.

O novo treinador

Havia alguma expectativa para perceber quem seria o homem do leme do Académico no regresso à elite. O anúncio de Bruno Pinheiro, com um contrato válido por uma temporada, é desde logo um cartão de visita, por si só.

Por onde tem passado (Gil Vicente e Estoril, por exemplo), as respetivas equipas até têm almejado um pouco mais do que o “mero” objetivo da permanência, o que não quer dizer que o Académico pense na Europa, mas pelo menos eleva a fasquia, encabeçada por um treinador de personalidade forte, que regressa a Portugal em concordância com o plano de crescimento sustentado que tem orientado o Académico.

O sucessor de Sérgio Fonseca promete um futebol atrativo, mas ciente das adaptações que terá de fazer para se manter à tona. O conhecimento do futebol português e da Primeira Liga é uma mais-valia, mas a experiência que Bruno Pinheiro tem acumulado noutras ligas também é um trunfo a ter em conta. E alguns ajustes já foram feitos no plantel a pensar nessa estabilidade desejada.

Um estádio renovado e uma cidade ansiosa

Tão grande como a ansiedade da equipa em entrar em ação na Primeira Liga, será a ansiedade dos adeptos. É que muitos deles, os que nasceram depois de 1990, esperaram toda a sua vida para ver os Viriatos entre a elite. Em permanente articulação com o Município de Viseu, a Académico de Viseu FC, Futebol SAD prepara-se também para vestir de gala o Estádio Municipal do Fontelo.

O recinto foi, nos últimos (muitos) meses, adequado às exigências da competição, com intervenção em várias áreas e departamentos, com muitas obras de renovação e requalificação. O emblema beirão prepara-se para transformar também a dinâmica da região, com o respetivo impacto económico, e os viseenses estão unidos em torno do seu Académico. Será a equipa capaz de corresponder em campo?

Agosto 20, 2026 . 10:23

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