
Cerca de 270 bombeiros feridos desde o início do ano
Cerca de 270 bombeiros ficaram feridos em teatros de operações desde o início do ano, disse hoje o presidente da Liga, no dia em que foi notícia um despiste em Arouca, que feriu os quatro tripulantes.
“Até ao momento, a Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) tem conhecimento de cerca de 270 bombeiros, desde o dia 1 de janeiro até agora, considerados feridos nos teatros de operações”, afirmou António Nunes à Lusa, salientando que é necessário distinguir os diferentes tipos de incidentes.
Existem os casos em que os “bombeiros estão acidentados por via do combate direto ao incêndio e isso é uma situação para nós sempre com alguma preocupação porque tem a ver com as medidas próprias de autoproteção que cada um deve ter e os equipamentos que devem ter para enfrentar as chamas” e existem as situações “resultantes dos acidentes de viação durante as operações de combate”, como o que sucedeu em Arouca, explicou.
Para o responsável, em comparação com outros anos, há mais feridos e incidentes, mas “isso tem a ver com o número de intervenções”, que tem aumentado.
“O que nós temos vindo a verificar é que, de ano para ano, os incêndios florestais em particular estão mais agressivos do ponto de vista daquilo que é a progressão das chamas e a intensidade do calor produzido”, pelo que, “naturalmente, o risco aumenta e temos situações que se tornam complexas de resolver”, reconheceu.
Além disso, “como estamos a envolver cerca de dois a três mil bombeiros por dia em combates a incêndios florestais, naturalmente que aparecem sempre situações de exaustão, pequenas entorses ou situações às vezes mais complexas pela inalação de fumos”, acrescentou o responsável, que destaca o apoio das comunidades locais, muitas vezes em comparação com o poder político central.
“Nós diríamos que as comunidades reconhecem o papel fundamental dos seus bombeiros no salvamento de pessoas, bens e ambiente da sua comunidade”, a par dos “municípios que têm um dispositivo de prevenção e socorro à disponibilidade dos seus concidadãos”.
“Eu diria que as populações têm um reconhecimento e um carinho especial pelos seus bombeiros”, mas “no que diz respeito à sociedade enquanto organização, nós sentimos que há muito a fazer”, considerou o presidente da Liga, recordando as conversas com partidos e governos.
A ausência de políticas concertadas para o setor “cria cada vez mais um sentimento nos próprios bombeiros de que há uma certa injustiça no reconhecimento do Estado perante aquilo que eles têm de dedicação à sociedade”.
“As promessas feitas não estão a ser concretizadas em atos concretos”, disse António Nunes, elencando várias queixas: “não temos um estatuto do bombeiro voluntário atualizado”, uma “carreira para o bombeiro voluntário que tem um contrato de trabalho com a associação humanitária”, um “contrato de programa entre o Estado e as associações” ou “um plano de reequipamento de equipamento individual, de viaturas e de melhoramentos nos quartéis”, entre outras matérias.
Além disso, “a legislação é dispersa ou é inexistente” em muitas áreas de atuação dos bombeiros, lamentou o presidente da LBP.
Hoje, um veículo de combate a incêndios despistou-se, causando quatro feridos, três dos quais em estado grave, perto do incêndio de Arouca, numa zona de difícil acesso na localidade de Pedrógão, que lavra desde segunda-feira.
No sábado, cinco bombeiros de Vinhais ficaram feridos após a viatura em que seguiam ter sido destruída pelas chamas de um incêndio numa zona do Parque Natural de Montesinho, que teve origem em Espanha.









