Cancro da pele: quando os cuidados também vão de férias
Infelizmente, é também nesta altura que muitos dos cuidados com a pele ficam de férias. Um protetor solar esquecido, mais algumas horas ao sol ou a ideia de que "é só hoje" podem parecer gestos inofensivos, mas a pele guarda memória da radiação ultravioleta acumulada ao longo da vida. Cada exposição contribui para esse dano cumulativo, mesmo na ausência de uma queimadura solar.
Enquanto o bronzeado desaparece em dias ou semanas, os danos provocados nas células da pele podem persistir durante décadas.
A exposição solar cumulativa está intimamente relacionada com o desenvolvimento dos carcinomas cutâneos, os tumores malignos mais frequentes. Já os episódios intensos de exposição solar, sobretudo durante a infância e adolescência, aumentam também o risco de melanoma, a forma mais agressiva de cancro da pele.
As crianças merecem, por isso, uma atenção especial, já que as queimaduras solares nos primeiros anos de vida aumentam o risco de cancro cutâneo na idade adulta.
Na consulta de Dermatologia, percebemos que muitos dos comportamentos de risco se repetem todos os verões: aplicar pouco protetor solar, esquecer a reaplicação após o banho, acreditar erradamente que um fator de proteção (FPS) elevado permite permanecer mais tempo ao sol ou pensar que, por estar à sombra ou num dia nublado, a pele está protegida.
Na realidade, nenhum protetor oferece proteção total, nem deve ser encarado como um "passe livre" para prolongar a exposição solar.
Proteger a pele vai muito além da aplicação de protetor solar. Assenta em três pilares: adotar comportamentos seguros, evitando a exposição durante os períodos de maior radiação ultravioleta (habitualmente entre as 11h e as 17h00, no verão); usar roupa que cubra a pele, chapéu de abas largas e óculos com proteção UV; e recorrer ao protetor como complemento destas medidas, nunca como substituto.
Também importa lembrar que o benefício do protetor depende da forma como é utilizado. A maioria das pessoas aplica uma quantidade muito inferior à necessária para atingir a proteção indicada na embalagem.
Um fator de proteção elevado não compensa uma aplicação insuficiente. Deve ser aplicado generosamente, 15 a 30 minutos antes da exposição solar, renovado de duas em duas horas e após banhos ou transpiração intensa. Não esquecer zonas frequentemente desprotegidas, como as orelhas, o couro cabeludo, os lábios, o dorso das mãos e os pés.
Pessoas com antecedentes de cancro cutâneo, queratoses actínicas – lesões da pele provocadas pela exposição solar acumulada – ou outras lesões relacionadas com o dano solar necessitam de cuidados ainda mais rigorosos e de vigilância regular por um dermatologista.
Para todos, a mensagem que deixo é simples: o bronzeado desaparece no final do verão, mas os danos provocados pelo sol podem acompanhar-nos para toda a vida.
É por isso que a prevenção continua a ser a forma mais eficaz de proteger a saúde da pele.






